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francisco luís fontinha

Nunca vi o mar, A minha mãe sonâmbula nas noites de cacimbo desenhava o mar no teto da alcofa, um círculo com olhos verdes e sorrisos e cheiros que aprendi a distinguir antes de adormecer, e eu, e eu... francisco luís fontinha.

francisco luís fontinha

Nunca vi o mar, A minha mãe sonâmbula nas noites de cacimbo desenhava o mar no teto da alcofa, um círculo com olhos verdes e sorrisos e cheiros que aprendi a distinguir antes de adormecer, e eu, e eu... francisco luís fontinha.


29.11.11

Que cidade esta
Em suspiro dentro de mim
Que cidade esta
Sem se importar que eu durma no jardim,

Que cidade esta
Onde nas ruas uma voz é escuridão
Que cidade esta
Esta cidade do meu coração.

Que cidade tem um rio
Que bela cidade tem o vento
E gaivotas, e uma rosa amarela,

Tem gente apressada
Tem crianças em sofrimento…
Donzelas de calçada,

E veleiros com frio.
Que cidade esta
Que cidade tão bela.

...


29.11.11

As RATAZANAS proíbem-me de TRABALHAR, acorrentam-me os braços e as pernas, mas esqueceram-se do mais importante; cortarem-me a cabeça…
E eu não quero ser artista, e eu não quero ser escritor e eu não quero ser poeta, só quero TRABALHAR e pagar impostos.


29.11.11

(Ao amigo Necas Grifo)

Procuro taquiões
Na palma da minha mão
E talvez não estejam nelas (mãos)
Talvez habitem numa casca de banana
Em sorrisos de donzelas
Putas e belas
Ai que cena!
Ai que cena a tua mão pertencer a ontem
Quando ainda chovia dentro do teu silêncio
Ontem
Conversei com electrões
Conversei com a tua mão deserta
Não…
Não estou louco
Doente mental
Tenho de tudo um pouco
Ilusão
Sonhos de sonhar
E putas e belas
Elas
Queridas donzelas…
Escondem-se no corredor do infinito
E deixam a porta aberta
Transparente
E esperam
A chegada de taquiões.


Luís Fontinha
Alijó, 8 de Agosto de 2010


28.11.11

A miúfa pendurada nos meus olhos quando ao meu lado direito um plátano pregava um sermão aos transeuntes, cansado de os ver apressados pela rua parecendo bengalas suspensas na dentadura postiça do meu vizinho, sabes que horas são, si lá, não sabes, nem sei que dia é hoje quanto mais que horas são, o meu vizinho puxa de um cigarro, enrola-o na língua, mistura-o com a saliva e de labareda em punho, a luz da sala acesa, o fumo engasga-se junto às panelas que na cozinha esperam pela chegada da Silvina, e a Silvina nos terrenos com a focinheira na terra, as cabras sobem e atravessam os muros da tapada, a terra dispersa engole o cansaço da velhice, e no telhado a brancura da neve, as pernas empobrecidas e das mãos calejadas da enxada o sorriso da erva em banhos de imersão, o palheiro, o canastro entupido de milho até à porta de entrada, na eira três galinhas e um porco passeiam-se junto ao mar, Belém, Cascais,
- O Tejo preso a uma âncora, e o Tejo não foge, o Tejo quietinho no cantinho esquerdo da eira, o neto brinca com pequenas pedras, e de vez em quando, de vez em quando atira-as contra o areal de milho, perde o olhar dentro no feijão estacionado entre o milho,
E Cascais, Belém, Cais de Sodré, e putas, e a Silvina já noite, pelo meio da sombra carrega à cabeça erva em gemidos solitários, os coelhos com fome, as cabras à sua frente de lanterna na cabeça, o caminho misturado de cascalho e tojos, e foda-se,
- Piquei-me,
E na cozinha as panelas esperam a Silvina, descarrega a erva como se fosse uma burra de carga, no quarto o marido espetado no tecto à espera que lhe mudem a fralda, o cheiro a merda, a merda da vida, a vida a esfumar-se pela claridade da candeia, o cheiro intenso do azeite encosta-se nas paredes do corredor, e pensa,
- Que saudades de ir ao terreiro, baixar as calcinhas até aos tornozelos, e mijar docemente como uma semente de malmequer, o frio intenso no rabo, e do quarto uma voz gritante,
Silvina, estou cheio de merda.

(texto de ficção)


28.11.11

Constrói-se o poema erótico
Dentro da fogueira do púbis
E nas palavras que não consigo escrever
(porque sou mais estúpido que uma porta e insensível)
Essas
As palavras que saltitam nos lábios em desejo
Nascem dois malmequeres com cabeça de abobora

Juntando à minha cabeça de abobora
Perfaz três cabeças de abobora
E um poema erótico
E um púbis que se evapora
Nas árvores estacionadas junto ao mar
Pergunto-me – E Agora?
(e porque sou mais estúpido que uma porta e insensível)

Cerros os olhos
E em pedacinhos a minha cabeça de abobora
Voa nos lábios acinzentados de gaivotas enjoadas
O resto do meu corpo em migalhas de pão
(e porque sou mais estúpido que uma porta e insensível)
Um candeeiro junto ao Tejo olha-me
Como se eu fosse um mendigo à procura de abrigo…

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