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francisco luís fontinha

Nunca vi o mar, A minha mãe sonâmbula nas noites de cacimbo desenhava o mar no teto da alcofa, um círculo com olhos verdes e sorrisos e cheiros que aprendi a distinguir antes de adormecer, e eu, e eu... francisco luís fontinha.

francisco luís fontinha

Nunca vi o mar, A minha mãe sonâmbula nas noites de cacimbo desenhava o mar no teto da alcofa, um círculo com olhos verdes e sorrisos e cheiros que aprendi a distinguir antes de adormecer, e eu, e eu... francisco luís fontinha.


31.05.12


tão bela
ela
a poesia com marmelada
bela tão tão a palavra
dela

sem cigarros
tão linda
ela
na primavera

tão bela
ela
a poesia com madrugada
nela
à janela

tão bela
ela
dela
a poesia com marmelada
a poesia com madrugada

dela nela tão bela
a palavra
ela
tão bela


30.05.12


“ai que me vou morrer”
nas tuas coxas amarelas
ai ai ai
belas
relvas
ai
morrer
elas as ruas delas

no mar

“ai que me vou morrer”
nas tuas coxas
no ar
ao cu

do cu

ai ai “ai que me vou morrer”
do mar
sem vento
e no entanto
no entanto
ao cu ao cubo
ai ai ai
elas as ruas delas


29.05.12


do outro lado da rua
nua
ela crucificada nos ponteiros do relógio
nua

a tarde dentro da porta da noite
do outro lado
a rua

ela
ela nua do outro lado da rua
doze badaladas
meio dia
a felicidade dentro do alpendre
sem janelas

há urtigas em filetes
e framboesa
e do jantar
maionese com ilustrações
desenhos em areia
velas lírios à sobremesa

do outro lado da rua
ela
eu nela nua
a tarde sem literatura


29.05.12

simetricamente encerrado
nas torradas e no chá com pimenta
às portas da urna de vidro
onde habita a saudade

a marquise doente
tosse febre rouquidão
(malditos cigarros)
lamenta-se o coveiro
levanta-se a urna de vidro
e pede um poema de menta
e um cinzeiro
(AI) ouve-se do interior da padaria

a menina de mini saia
a gritar
fujam fujam fujam...
há orgias
dentro da livraria

quem diria
(AI)

a livraria cansada
com mãos de página de revista
ou rolo de papel higiénico

fujam fujam fujam

quem diria
(AI AI AI)

quem diria
que um dia
dentro da livraria
eu ia
eu ia encontrar um livro em orgia.


28.05.12

Não sabia que a loucura
é um frasco de vidro com olhos verdes
que ama
loucamente
a paixão
não
não sabia
que em ti cresce poesia

melancolicamente
em alegria
geometricamente
suspenso no teu pescoço com asas azuis
e suspiros de prata

a loucura
um frasco de vidro com olhos verdes
(melancolicamente
em alegria
geometricamente
suspenso no teu pescoço com asas azuis
e suspiros de prata)
a fotografia do teu rosto cinzento

o frasco de vidro
desce ao silêncio do sono
uma fotografia com olhos verdes
a loucura transpira
emagrece
sorri e ri e liberta-se das tuas garras
(loucamente)
a paixão

sem amarras
a loucamente loucura
na tua mão
com olhos verdes

sem cancelas
portas
ou janelas

a paixão cresce
a paixão cresce e transpira
ou janelas
portas
sem cancelas

não admira
não sabia que a loucura
é um frasco de vidro com olhos verdes
que ama
loucamente
a paixão

ama
a paixão loucamente
nos lábios de uma gaivota
ama
ela
com ternura
eu não sabia
que a poesia
é um frasco de vidro com olhos verdes...
a loucura
sem ela
quando finge dormir dentro do mar


27.05.12

(para ti)

Me encanta a tua voz poética
nas tuas palavras de sofrimento
me encantam as tuas mãos melódicas
quando regressa o vento
e eu me encanto
com os teus lábios de inverno
junto à lareira
me encanta o teu cabelo
(Loiro? Eu não sou Loira... eu sou Castanha!)
como se isso me importasse
porque me encanta a tua voz poética
e eu me encanto
com as noites de primavera
à lareira
a imaginar o teu cabelo
(Loiro Castanho, Castanho Loiro, Loiro Castanho, Castanho Loiro)

Me encanta a tua voz poética
nas tuas palavras de sofrimento
me encantam as tuas mãos melódicas
quando regressa o vento

tudo em ti me encanta
tudo de ti alimenta

o encanto de amar.

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