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francisco luís fontinha

Nunca vi o mar, A minha mãe sonâmbula nas noites de cacimbo desenhava o mar no teto da alcofa, um círculo com olhos verdes e sorrisos e cheiros que aprendi a distinguir antes de adormecer, e eu, e eu... francisco luís fontinha.

francisco luís fontinha

Nunca vi o mar, A minha mãe sonâmbula nas noites de cacimbo desenhava o mar no teto da alcofa, um círculo com olhos verdes e sorrisos e cheiros que aprendi a distinguir antes de adormecer, e eu, e eu... francisco luís fontinha.


29.10.12


Escrevia sonhos nas mandíbulas insaciáveis das palavras de prazer
ao húmus transversal que alimenta o coração esmigalhado
a estrada esconde-se na montanha do medo
e há árvores em fila de espera para comerem a refeição mínima do dia invernal,

Saio de casa e as sombras de tristeza
agarram-se-me aos dedos de cristal que as minhas mãos de feldspato
transportam quando acorda a manhã cansada de poesia
e papagaios de papel encarnado,

Escrevo-te sabendo que a tua boca
vive numa nuvem de algodão construída pelas infinitas gaivotas do Tejo
quando barcos em solidão
dormem sossegadamente no travesseiro da paixão,

Escrevia os sonhos
em insaciáveis mandíbulas que o coração de vidro
às palavras
tristemente adormecidas.

(poema não revisto)


28.10.12


Desenhava as espadas do inferno
nas húmidas janelas que as fotografias inventavam
na claridade poeirenta dos dias em solidão
e os corações de vidro
choravam em sílabas de sangue misturados às vezes na obscuridade
das palavras que a saudade alicerça no silêncio pequeno-almoço,

No peito esverdeado pela nascença de uma nova flor
abriam-se-lhe todos os espinhos da infância adormecida
no pilares de madeira que a noite come
abriam-se-lhe os poemas escondidos nas mãos de nevoeiro
que o amor escreve no cadáver da tarde dentro do rio sem barcos de papel,

Desenhava as espadas do inferno
como se as estrelas suspensas nos jazigos imaginários
escondessem verdadeiramente os duzentos e seis ossos de mim
pedaços de xisto mergulhados nas lágrimas
que os lábios de desejo
constroem sentados nas cadeiras de cartão
oferecidos pela loucura manhã de domingo
e nas longínquas taças de champanhe com bolinhas encarnadas
os disfarces de Marilú no poeirento espelho caquéctico da cave com grades em gemidos
e o perfume dos cigarros sem nome
em busca do sítio encantado das árvores azuis e nuvens de chocolate
que o poema esconde na garganta do boneco de palha.

(poema não revisto)


28.10.12


Atravesso a planície do teu olhar
com as sombras infinitas que a noite constrói
nas rochas salgadas do teu peito
do mar tua mão que dói
a saliva maré sem jeito
e a manhã se destrói
dentro das árvores imperfeitas
malignas palavras de amar
na boca da mulher as flores contrafeitas
pintadas de luar
atravesso a planície do teu olhar
e o meu coração dorme sem perceber o teorema do amor.

(poema não revisto)


27.10.12


O muro da paixão submerso nos alicerces das pequeníssimas gotinhas de luz
deitadas sobre a mesa-de-cabeceira
é sexta-feira e todas as coisas morrem quando acorda o dia
mergulhado na solidão aprisionada no sótão da casa,

Ouvem-se gritos uivos dos gemidos cansaços
dos sexos dilacerados nas nuvens de algodão
que a feiticeira rosa de sorriso encarnado
desenhou na areia fictícia que os cortinados escondem na algibeira dos sonhos,

O muro constrói-se de palavras e folhas de papel timbrado
com as insígnias íris do louco apaixonado pelas árvores sem soutien
descem da alvorada sifilítica as manhãs sem poesia
dos livros escondidos e proibidos pelos desejos dos relógios de pulso...

(poema não revisto)

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