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francisco luís fontinha

Nunca vi o mar, A minha mãe sonâmbula nas noites de cacimbo desenhava o mar no teto da alcofa, um círculo com olhos verdes e sorrisos e cheiros que aprendi a distinguir antes de adormecer, e eu, e eu... francisco luís fontinha.

francisco luís fontinha

Nunca vi o mar, A minha mãe sonâmbula nas noites de cacimbo desenhava o mar no teto da alcofa, um círculo com olhos verdes e sorrisos e cheiros que aprendi a distinguir antes de adormecer, e eu, e eu... francisco luís fontinha.


25.12.13

foto de: A&M ART and Photos

 

Um pequeno charco cobria-lhe o rosto desorganizado como um texto escrito com palavras tontas, a chuva cambaleava sobre o olhar dele, ele provavelmente dormia, não dormia, sonhava... ou... talvez nem conseguisse sonhar, os sonhos são caros e raros, o preço é elevado para o comum dos mortais como ele, talvez sentisse o peso das estrelas, talvez adivinhasse que hoje,

Ontem viajava até ao dilúvio sentido da esperança, tinha na algibeira vinte euros e pouco mais do que isso, tinha perdido a caneta de tinta permanente, tinha-me perdido na penumbra melancolia dos versos de AL Berto, e na mão direita um pedaço de lama enterrada até ao mais profundo dos ossos engasgados como vómitos cintilantes das pálpebras encobertas pelo murmurado ronco da nuvem de papel, choravas, o corpo ia aos poucos minguando até evaporar-se na adrenalina folha de papel que me cobria, pensei que estava morto, acreditei ser um imbecil esqueleto que esperava o ressonar da madrugada, o relógio iluminava-me e marcava três horas, e eu ouvia solenemente os rosnar dos ponteiros contra as roseiras,

Talvez adivinhasse que hoje um pequeno versos se escrevesse no pequeno charco de lama onde tinha escondido os meus sonhos, havia-os de todas as cores, tamanhos e feitios, mas um deles pertencia aos arbustos suicidados dos ventos de Belém, dormia e sentia no rosto os medos de uma Lisboa a entranhar-se-me como uma lâmina

As roseiras brincavam sobre o meu peito,

Uma lâmina fina e escura de saudade descia dos cobertores do céu, um homem poisou a mão no meu rosto e beijou-me, eu sinceramente não me apetecia levantar da miudinha chuva, sentia-os e imaginava-me sentado numa esplanada de granito

Aquela onde me sentava a fumar junto ao Padrão dos Descobrimentos e inventava barcos em papel,

O granito era frio, o homem tinha nos lábios o bravio musgo do Presépio de porcelana e eu sentia-lhe a mão rodopiando sobre os meus olhos, queria acordar, não acordava, sonhava e não sonhava, lia e não lia..., deixei de escrever nos teus seios quando a tempestade entrou dentro de mim, o homem beijava-me como um louco e eu, eu como um louco também... escrevia no corpo dela, sentia-a percebendo que ela morreu há mais de vinte e cinco anos, o homem parou de beijar-me, a chuva abrandou... a mulher dos seios despidos... fugiu, também ela morta, também ela em esqueleto de vaidade numa qualquer montra da cidade,

As roseiras brincavam sobre o meu peito,

O relógio silenciou-se, perdi-me no tempo, perdi-me no corpo dele, e pedi ao Outono que regressasse com as sonâmbulas palavras que um pequeno charco cobria-lhe o rosto desorganizado como um texto escrito, a chuva cambaleava sobre o olhar dele, ele provavelmente dormia, não dormia, sonhava... ou... talvez nem conseguisse sonhar, os sonhos são caros e raros, o preço é elevado para o comum dos mortais como ele, talvez sentisse o peso das estrelas, talvez adivinhasse que hoje, que hoje... que hoje

As roseiras brincavam sobre o meu peito,

E lá fora um Oceano espera-me, tal como me espera a guilhotina das paixões não correspondidas, vadias até, sofrer, viver, sentir-lhe dos lábios o odor dos cigarros incinerados, e a poeira de ti sobre mim... e que hoje

As roseiras brincavam sobre o meu peito,

E... e acordei.

 

 

(não revisto – ficção)

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

Quarta-feira, 25 de Dezembro de 2013


25.12.13

foto de: A&M ART and Photos

 

A colegial sem nome que esconde os lábios na madrugada

o livro da colegial dorme como uma criança cansada

o cansaço inventa sorrisos nas mãos do desejo

e este

às vezes como um poço sem fundo

também como a colegial

sem nome

voa sobre as praças com candeeiros de prata,

 

Os lábios foram-me oferecidos pela madrugada

e a noite constrói-se nas lágrimas da chuva

dos orgasmos fingidos

que a colegial também esconde

não na madrugada

não no corredor da morte...

mas... mas esconde-os na alma do Diabo

como pétalas de insecto mergulhadas nas manhãs de Inverno,

 

A colegial é transparente

é imóvel

saboreia-se nas candeias que o destino lhe roubou

ela desconhece que a lareira existe apenas para a aquecer

despe-se para o espelho...

a colegial sem nome diz que quando for grande quer ser uma fotografia a preto-e-branco

perplexa

descobre o veneno dos zincos telhados que acordam a criança cansada...

 

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

Quarta-feira, 25 de Dezembro de 2013


24.12.13

foto de: A&M ART and Photos

 

Percebo as linhas transversais do teu olhar

quando o Gin se entranha no vórtice das tuas nádegas transparentes

oiço os gemidos da geada

oiço-te escrever palavras avulso nos cortinados de papel

e percebo

percebo que onde estás sentada existe uma sombra que me pertencia

e me amava

espero que te abras

e me enlouqueças com os sons das tuas alegres alvenarias

sinto-te dentro de mim

como um sismo derramando crustáceos envenenados

… sinto-te gritar o meu nome... aquele que rasgaste numa noite de tempestade,

Percebo porque têm lágrimas os vidros da tua janela

sei que lá fora morre um transeunte maligno

um coitado e sem abrigo...

percebo as tuas lágrimas quando em mim se entranha o Gin

crescem aleatoriamente nas minhas mãos os jardins complexos do silêncio

e dizem que vais abrir-te brevemente

como uma gaivota em voos loucos procurando veleiros com azia

e marés de areia com vómitos silabados,

Este é o meu Natal...

ir ao Mercado

beber uns quantos gins... e aleatoriamente como os jardins complexos do silêncio...

voar como as gaivotas

gritar o meu nome contra as paredes que o granito construiu para as madrugadas do medo

percebo

as linhas transversais do teu olhar

percebo que o meu corpo levita

sentado sobre quatro tábuas de mogno...

este é o meu Natal

triste

e embriagado triste... olhando as límpidas alvenarias do mercado.

 

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

Terça-feira, 24 de Dezembro de 2013


24.12.13

foto de: A&M ART and Photos

 

Despeço-me da vida inventando uma outra forma de viver, despeço-me dos barcos reais e com âncoras e com correntes e com pulmões e com mãos e com lábios e com beijos, e no entanto a vida gira como uma roda dentada, fria, escura... despeço-me das árvores levando a saudade dos pássaros, despeço-me dos cigarros levando a saudade dos cigarros, despeço-me do amor levando na algibeira o verdadeiro amor,

O medo de dizer

Amo-te,

De dizer que dentro dos corações de xisto vivem mulheres que desejam palavras, beijos... carinhos... sombras e marés, cortinados, bebés, de dizer

Amo-te,

Palavra difícil, a palavra mais difícil de pronunciar, engasgo-me e não o consigo, escrevo-a como castigo cem vezes na ardósia da escuridão,

(Eu amo-te, Eu amo-te, Eu amo-te, Eu amo-te, Eu amo-te, Eu amo-te, Eu amo-te, Eu amo-te, Eu amo-te, Eu amo-te, Eu amo-te, Eu amo-te, Eu amo-te...)

E depois como o magala que não sabe qual é a sua mão direita

(o senhor trocou-mas)

Finjo que os bonecos são pessoas, finjo que as pessoas são corações apaixonados, finjo que sou feliz não sendo e nunca percebendo o que é a felicidade, o orgasmo literário das palavras em suspensão dilacerem-se nas cordas do estendal que habita no quintal, e alicerçam-se a mim mil e quinhentas garrafas de uísque reserva de quinze anos, apaixonei-me por uma trapezista pobre, quis fugir com ela e amava-a...

Os meus amigos desejam-me bom Natal, eu detesto o Natal e o Bom Natal, finjo que gosto e retribuo... mas confesso que não tenho alegria para pensar no Natal, no ano novo que se aproxima, um ano de merda como este final de ano, a vida de que me despeço deixa de fazer sentido, as palavras não existem, os desenhos são monstros comparados com a dor de quem sofre, chora e sinto lágrimas no quarto ao lado do meu, oiço-os cochicharem como gaivotas envenenadas, doces, medos despertam passados enterrados, lápides escondem-se na minha algibeira com três tristes chocolates... finjo fugir e covardemente... choro em silêncio,

(o senhor trocou-mas)

Sou transportado para o recreio da escola primária, desastradamente parto um dos vidro da janela da sala de aula com a bola de futebol do meu amigo que tem noção que eu sou um nabo em termos futebolísticos, nada percebo e tudo transformo em... cacos, pedaços de vidro...

(nos grupos de poesia onde publico dizem que os meus poemas são belos, tirando isso... acham-nos uma merda)

Troco de vida, de fingimento, de dor... agora... já consigo chorar, sofrer, sentir os pregos da desgraçada a penetrarem-se em mim...

(Eu amo-te, Eu amo-te, Eu amo-te, Eu amo-te, Eu amo-te, Eu amo-te, Eu amo-te, Eu amo-te, Eu amo-te, Eu amo-te, Eu amo-te, Eu amo-te, Eu amo-te...)

Troco de vida, de fingimento, de dor... agora... já consigo chorar, sofrer, sentir os pregos da desgraçada a penetrarem-se em mim... nos grupos de poesia onde publico os meus poemas... adoram-me, sinto-me um sobretudo pendurado num cabide dentro de um guarda-fato, oiço a minha sombra sobre a sombra dela, são apenas um corpo e deslizam como rolamentos calçada abaixo,

O Tejo,

Havia prostitutos à procura de engate, sentava-me numa esplanada, lia o “Doutor Jivago – Boris Pasternak”, e escrevia num caderno de capa dura e negra as palavras doces das bocas doiradas dos transeuntes e de vez em quando

O Alfredo colocava nos cornos da rena as lâmpadas de Natal, piscavam, alimentavam vozes embriagadas com o uísque de quinze anos, recordo-me hoje da morte dos livros que deixei ficar na prateleira por pobreza, insónia, toques de campainha a pedirem-me

O vizinho tem uma pitada de sal que me empreste?

E eu respondo-lhe

O vizinho nada tem,

O Tejo,

Tu toda nua, nos teus seios coloco os enfeites da árvore de Natal, danças, saltitas sobre os trapézios da infância, desejas-me boa noite e as melhoras do meu pai...

Não percebo a cor dos teus olhos,

(Eu amo-te, Eu amo-te, Eu amo-te, Eu amo-te, Eu amo-te, Eu amo-te, Eu amo-te, Eu amo-te, Eu amo-te, Eu amo-te, Eu amo-te, Eu amo-te, Eu amo-te...)

Despeço-me da vida inventando uma outra forma de viver, despeço-me dos barcos reais e com âncoras e com correntes e com pulmões e com mãos e com asas e com plumas e com mini-saia e com rímel e com... e com um metro de superfície a martelar-me no olhar as sílabas estonteantes dos dúcteis talheres de prata,

Covarde,

sinto-o quando a olho,

Neste momento bebo sem perceber que amanhã o livro pode arder na lareira do sofrimento, sem perceber

Porquê?

Despeço-me da vida inventando uma outra forma de viver, despeço-me dos barcos reais e com âncoras e com correntes e com pulmões e com mãos...

(Eu amo-te, Eu amo-te, Eu amo-te, Eu amo-te, Eu amo-te, Eu amo-te, Eu amo-te, Eu amo-te, Eu amo-te, Eu amo-te, Eu amo-te, Eu amo-te, Eu amo-te...)

Antes que seja noite e todos os que eu amo...

Morram.

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

Terça-feira, 24 de Dezembro de 2013


23.12.13

foto de: A&M ART and Photos

 

A noite destrói todas as palavras de papel que o invisível destino escreve

a noite inventa-se na algibeira do clandestino miúdo com suspensórios de vidro

o miúdo estupidamente apaixonado por uma uma gaivota...

… chora

transpira como lâminas de aço quando a lareira acesa derrete o silêncio

há uma pauta sobre a mesa da sala de jantar

na pauta brincam notas musicais órfãs

crianças das ruas sem nome não vivem... mas também não choram

crianças com mastros ao peito... vivem navegam choram e morrem...

e bandeiras de cetim sobre os cabelos cinzentos da tristeza dizem-lhes o que é a saudade

a noite embriaga-se como pedaços de xisto descendo os socalcos com as penumbras das sonâmbulas cambotas correndo e as bielas... as bielas nas mãos do miúdo estupidamente apaixonado...

… que chora... elas imóveis elas silabadas elas... elas são as bielas dos covis iluminados pela loucura neblina que o desejo procura no corpo nu sem nome as bielas fodem...

Alimentam-se dos sombreados tectos de verniz que às esplanadas de areia acordam como tecidos mortos e envenenados e doirados e... e a noite em papel dissolve-se na garganta do condenado

hoje há moelas

moedas de prata

lágrimas de crocodilo

e dentes de marfim

A janela do muro envidraçado abre-se e a noite começa a comer o miúdo depois de destruir todas as palavras de papel que o invisível destino escreveu

e o pobrezinho menino prostitui-se no cais de embarque dos petroleiros ofegantes

a gravata esgana o pescoço dos homens de mini-saia

os sapatos de três andares... adormecem noite adentro num sótão abandonado

a gaivota do amor

não dorme

não vive

chora

chora... chora... parvo... porque choras tu?

e era capaz de acreditar nos objectos negros das portas com triângulos desenhados...

com... com coxas cosidas pelas mãos da Avelã costureira...

Peneirenta

rafeira

e ordinária...

a noite é uma puta desgraçada

e feia...

a noite fode-nos como cinzeiros em prata nas mãos de um drogado...

 

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

Segunda-feira, 23 de Dezembro de 2013


22.12.13

foto de: A&M ART and Photos

 

O piano enlouquecido

tristemente só... alegremente despromovido

o piano magoado louco esquecido...

o piano dorme enquanto os dedos dela se masturbam nas suas doces teclas

o piano desgraçado

dorido

é triste ser som de piano louco

quando o corpo dela...

não o é... e o é tão pouco

enquanto o corpo dela... dilacera-se como a manteiga nos espelhos da paixão

o piano tem coração

tem dono... tem tesão.

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

Domingo, 22 de Dezembro de 2013


21.12.13

foto de: A&M ART and Photos

 

O pormenor emblemático do corpo composto por luz, pétalas encarnadas e algumas insónias margaridas, o jardim parece um monstro recheado de nozes, vozes, um monstro com olhos em xisto, socalcos, montanhas... e nas veias, o rio

O Douro?

O sorriso das madames com plumas desiguais sobre os ombros sombreados pelas nuvens que a noite constrói depois de todas, ou apenas uma ou outra, luzes de néon vomitarem as palavras encravadas nas montras da cidade, oiço-te vaguear como uma gaivota ferida, doente, oiço-te mergulhar no meu Douro que odeio, confesso... que sempre odiei, vivi para ser uma cidade, com bares, ruas e ruelas, travestis, putas, e donzelas... o Douro enerva-me, desiludiu-me quando o encontrei pela primeira vez... como me desiludiram algumas das mulheres que eu tive

(como desiludiste algumas das mulheres que tiveste)

Como me desiludiram algumas das calçadas empedradas com acesso ao rio, outro rio, um rio com vida, um rio com esqueleto de marinheiro, em cio

O Douro?

A ponte iluminava-se, a ponte voava sobre os espaços exíguos da minha cabeça, acordava com pequenas grandes tonturas, acordava a fumar cigarros proibidos e deitava-me a fumar

Cigarros proibidos?

O Douro enerva-me, desculpem-me, mas amo a cidade do Tejo, amo a ponte, os charros que fumei enquanto choramingava... e depois caía num qualquer bar em Cais do Sodré, depois era madrugada, deambulava pelas ruas mais profundas, mais escuras, mais... mais amadas em mim, depois cambaleava, tropeçava no paralelepípedo e vomitava sons inaudíveis dos carris frios, tão frios como o teu corpo de menina enquanto descia Setembro sobre uma sombra em Trás-os-Montes, odeio-te sabendo que sou prisioneiro de ti, odeio-te sabendo que só serei livre quando

Pegar na tua mão, acariciar-la como se fosse a folha de um dos livros do António Lobo Antunes, ou um dos pares de luvas de lã que tive em miúdo, depois deixei de sentir frio porque as minhas mãos transformaram-se em rochas, pedaços de granito, eles também gélidos, eles também... sós, depois vieram os olhos verdes que a pouco e pouco ficaram sem cor, hoje são daltónicos e precisam de lentes para ler as tuas palavras das tuas cartas que eu te reenviei... e hoje, hoje sinto saudades

Da cidade do Tejo,

A ponte iluminada balançava quando o vento vinha para me levar e sempre que me preparava para partir, não partia, um carro de brincar iluminava a ruela dos candeeiros mortos, movimentava-se por quatro pilhas de um volt e meio, redopiava em círculos, usava a voz das minhas palavras na boca das outras palavras, aquelas que nunca consegui escrever, dizer amo-te é mentira, ilusão, despedida,

Saudades?

Do Tejo,

Dizer desejo-te é mentira, ilusão, despedida,

Saudades?

Do Tejo,

(dedico esta música a todos os meus amigos)

Amigos? Quais amigos... dás-te conta que não tens amigos, e que se vivesses na cidade do Tejo não tinhas um cão com catorze anos, caquéctico, rabugento... mas engraçado, porque só ele percebe porque choro, quando choro...

(qual é a frase?)

O pormenor emblemático do corpo composto por luz, pétalas encarnadas e algumas insónias margaridas, o jardim parece um monstro recheado de nozes, vozes, um monstro com olhos em xisto, socalcos, montanhas... e nas veias, o rio, a heroína em ebulição sentia-se e no tombar das árvores doidas, como sonâmbulos corpos emagrecidos havia sempre alguém que não regressava,

(ai a frase... a frase...)

O Douro?

A límpida água dos sonhos e da esperança voltam à panela de pressão e evaporam-se nas avenidas encantadas dos guindastes com braços em aço e lábios em pergaminho,

Hoje temos beijos,

(quer uma ajudinha... senhor Francisco?)

Hoje temos beijos, saudades e nada mais do que isso... e redopiava em círculos, usava a voz das minhas palavras na boca das outras palavras, aquelas que nunca consegui escrever, dizer amo-te é mentira, ilusão, despedida,

Saudades?

Do Tejo,

(diga comigo senhor Francisco... “Com os voos nocturnos da menina Amélia a sobremesa adormece sobre a mesa-de-cabeceira”)

Hoje temos beijos, saudades e nada mais do que isso... e redopiava em círculos, usava a voz das minhas palavras na boca das outras palavras, aquelas que nunca consegui escrever, dizer amo-te é mentira, ilusão, despedida,

Saudades?

Do Tejo,

E dizer amo-te é pura loucura, desilusão... sei lá que mais...

(à escolha)

E diziam-me que aqui existiam verdejantes barcos com asas em porcelana... pode lá ser...

E é, e é... é assim desde que partiste...

 

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sábado, 21 de Dezembro de 2013


20.12.13

Não sabia a ninguém

não tinha palavras para gritar contra o muro da tristeza

tinha na boca uma sonâmbula ausência de esperança

não tinha cigarros

apetecia-me tanto fumar cigarros

e lá fora

sentia o burburinho das folhas molhadas

o cansaço das árvores que deixavam sobre o passeio empedrado... pequenos braços

em abraços

a janela tremia como se o frio nocturno de Trás-os-Montes acordasse nesta rua enlouquecida da cidade do Porto

eu tremia e todos tremíamos...

e irritava-me o caudal constante da corrida do metro em frente à janela do Inferno...

 

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sexta-feira, 20 de Dezembro de 2013

 

(provavelmente este será o último poema/texto de 2013... ou não)


19.12.13

foto de: A&M ART and Photos

 

tudo parece desabar

o tecto da sala de jantar cai como pedaços de sonho

desfeitos

irrealizáveis...

tristes os beijos do cansaço

quando a insónia dorme na mão das pétalas doiradas das abelhas em flor

tudo

até o meu cão consegue chorar

e eu

eu não...

tudo parece

os espelhos são-no e não me dou conta da algazarra das vozes entristecidas

 

doidas...

doidas... varridas

 

tudo é comestível

a dor

e as lágrimas...

as palavras

e as árvores de rapina

os pássaros com ramos envenenados...

são

são comestíveis e vejo-os na tela da saudade

a dor e as lágrimas...

as palavras

tudo parece desabar...

morrer... como morrem as lágrimas de chorar.

 

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

Quinta-feira, 19 de Dezembro de 2013

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