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francisco luís fontinha

Nunca vi o mar, A minha mãe sonâmbula nas noites de cacimbo desenhava o mar no teto da alcofa, um círculo com olhos verdes e sorrisos e cheiros que aprendi a distinguir antes de adormecer, e eu, e eu... francisco luís fontinha.

francisco luís fontinha

Nunca vi o mar, A minha mãe sonâmbula nas noites de cacimbo desenhava o mar no teto da alcofa, um círculo com olhos verdes e sorrisos e cheiros que aprendi a distinguir antes de adormecer, e eu, e eu... francisco luís fontinha.


29.06.14

(para ti)

 

 

Eu te quero,

mergulhar nas cinzas abandonadas do rio que te absorve,

escrever na flácida pele que te embrulha para separarem a tua pele... da minha pele,

eu te quero,

desfeita em pedaços de suor,

palavras suicidadas das folhas emagrecidas,

palavras de amor,

eu te quero,

como quero viver,

mergulhar nos teus tentáculos que só o desejo conhece..., dentro de ti,

eu te quero... como quero morrer...

apenas... apenas ser.

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Domingo, 29 de Junho de 2014


28.06.14

Não gosto destas mãos que me enlouquecem,

não gosto destes lábios que me entristecem,

dos fantasmas alicerçados no meu peito,

não gosto destes cabelos sem jeito,

submersos no sorriso do luar,

não gosto, não... não gosto destas coxas em flor,

desse distante mar,

não... não gosto que me chamem de... de amor,

 

Não gosto da sublimação que habita nesse olhar,

das magoadas luzes que engolem a cidade,

não gosto destas mãos que me enlouquecem,

não gosto destes lábios que me entristecem,

não, não me obriguem a amar,

quando... quando esse verbo é falsidade,

é vento,

na ponte em solidão das canções de acariciar...

 

Não gosto destes seios de neblina,

fictícios, de menina,

não gosto deste livros que ofuscam a minha janela,

não me deixam ver as gaivotas, não me deixam ouvir a voz da concertina...

não, não gosto destas tristes anedotas, destes esqueletos de metal,

não,

não gosto das ruas de fio dental,

que todas as noites invadem o meu coração.

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sábado, 28 de Junho de 2014


28.06.14

Já não há pássaros azuis,

deixaram de existir corações para amar,

já não há palavras de escrever,

aquelas que se escreviam num corpo transatlântico e com olhos de chover,

não há, morreram os gladíolos de papel,

morreram os beijos com odor a mar...

já não há cidades clandestinas,

vestidas de meninas, mimadas, amadas... meninas... com lábios de mel.

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sábado, 28 de Junho de 2014


27.06.14

Hoje,

sou um marinheiro sem embarcação,

um pedaço de madeira sem mar,

hoje, hoje... nada para escrever,

faltam-me as palavras,

faltam-me... os teus silêncios sem madrugadas,

hoje,

sou um marinheiro sem embarcação,

um rio sem encontrar as tuas lágrimas,

hoje, nada... nada para escrever,

porque hoje,

hoje sou um ínfimo cadáver nas páginas de um livro...

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sexta-feira, 27 de Junho de 2014

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