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francisco luís fontinha

Nunca vi o mar, A minha mãe sonâmbula nas noites de cacimbo desenhava o mar no teto da alcofa, um círculo com olhos verdes e sorrisos e cheiros que aprendi a distinguir antes de adormecer, e eu, e eu... francisco luís fontinha.

francisco luís fontinha

Nunca vi o mar, A minha mãe sonâmbula nas noites de cacimbo desenhava o mar no teto da alcofa, um círculo com olhos verdes e sorrisos e cheiros que aprendi a distinguir antes de adormecer, e eu, e eu... francisco luís fontinha.


16.03.16

As gaivotas assassinas

Que atormentam os teus/meus sonhos,

O silêncio da pedra onde descanso

E sinto a sombra do sofrimento

Antes de acordar a noite,

O túnel da amargura suspensa na água transparente do desejo,

Desapareces entre as nuvens de algodão que alimentam o dia… e neste momento… mortas, feridas, e indesejadas pelos pássaros da avenida nocturna da paixão,

As complexas muralhas do sono nos cortinados das tristes madrugadas…

O beijo da aranha

Que habita o circo da minha infância,

E…

As gaivotas assassinas…

Nos meus/teus sonhos,

Vivo em ti e de ti, semáforo da tristeza

Sem perceber que a vida é uma jangada de pequenos sorrisos

E místicos poemas sem destinatário…

A vida só,

Só…

Como são todas as gaivotas assassinas…

 

Francisco Luís Fontinha

quarta-feira, 16 de Março de 2016


15.03.16

Despeço-me dos teus sonhos

Quando o mar parte para o infinito,

A Caravela da saudade estacionada nos teus beijos,

Ao longe, os rochedos da paixão

Que só os teus lábios conseguem imaginar,

Em busca da infância,

Numa noite de luar…

Despeço-me… sem saber se tens sonhos,

Se tens um jardim de crisântemos no teu corpo

Como tinham todas as mulheres que conheci,

Teus beijos,

O teu cansaço inferno nas minhas mãos abandonadas na cidade de prata,

Sem sítio onde aportar…

Despeço-me dos teus sonhos

Enquanto cai a noite sobre as esferas do silêncio…

 

Francisco Luís Fontinha

terça-feira, 15 de Março de 2016


13.03.16

Recordo o sono levado nos teus braços

Quando a manhã terminava de acordar

Recordo o cansaço

E a sinfonia do Adeus

Que escondeste no mar…

Recordo-te sem me recordar

O teu nome

Recordo-me sem me recordar

O teu sorriso

Do amar

Do amor

Enraizado no esplendor altar

As abóbodas do silêncio

Quando prisioneiras dos teus lábios

E um pedacinho de Paz

Leva o teu corpo para o abismo

Entre rochedos de medo

E beijos de nada

Recordo

O sono

Levado

Os teus braços nas trincheiras amarguradas…

Sem tempo para me abraçar

Ou uma fingida despedida.

 

Francisco Luís Fontinha

domingo, 13 de Março de 2016


12.03.16

O não, só!

O eu, no não, também ele, só…

E o ó

Do nó

Entre marés de Inverno

E desejos de Inferno

Levante-se o alfabeto

O avô

E o neto

Levante-se o réu

E o sofrimento

Do Céu

Quando alguém cai

E tomba no pavimento térreo

Sem tempo

Volta a cair

Ai…

O vento

Nos teus lábios a sorrir

STOP. FIM. Até breve… no meu regresso

Sem acesso

Ao sítio mais escuro do Universo

Deixo, deixo-te…

Este triste verso.

 

Francisco Luís Fontinha

sábado, 12 de Março de 2016


10.03.16

Caminho apressadamente
Para os teus braços invisíveis
Regressa a Primavera e depois o Verão
E nós sem amanhecer
Nem vontade
De desenhar a alvorada no chão…
O teu corpo sente
O meu corpo mente
Velozmente
As palavras de escrever
Caminho apressadamente
Com vontade de te ver
Sentir em mim o sentir
No brincar das tuas mãos em liberdade
Com o poema de sorrir…
Caminho
Caminho apressadamente
Como um livro a fugir
Da fogueira do adeus
E do vento
E da chuva
E do beijo a cair
Sobre os lençóis da madrugada
A penumbra espuma
Saltitando à janela
Sem bruma
Nem desejo que segure nela…

Francisco Luís Fontinha
quinta-feira, 10 de Março de 2016


08.03.16

A aldeia deserta

Tenho no corpo o peso da saudade

Que desertou dos jardins suspensos dos teus lábios

A tempestade alicerçou-se às tuas mãos

Como se alicerçaram as sombras nos meus cabelos

A aldeia deserta

E eu, e eu recheado de sonambulismo,

Sonhos

E saudade…

De regressar à aldeia deserta

Onde habitam os meus ossos

E as minhas cartas de amor!

 

Francisco Luís Fontinha

terça-feira, 8 de Março de 2016


06.03.16

Simplifico-me nas tuas asas

Deusa do sofrimento

Madrugada em despedida

Quando o corpo cessa de sonhar

E viver

Na esperança perdida…

Sofro

E faço sofrer

A minha mãe querida

Um artista

Camuflado no desejo

Esperando o regresso da paixão

E ela

Não vem

Morre

Como morreu o meu coração

Nas avenidas despidas e incrédulas

E simplifico-me

Nas tuas asas

Minhas esperas…

Sinto o arrepio da morte

Poisado nos meus ombros

A plenitude rebeldia dos teus braços

Entrelaçados no meu pescoço magriço

Frágil corpo nas tuas mãos

Sangrando

O feitiço

Do amor

De amar

Quem me ama?

Seu grande impostor…

O Doutor

Engenheiro

Poeta

E escrivão da corte…

O morto

Vampiro das noites sem sorte

Agora sinto-o

Aprecio-o

E fujo dele…

Ai de mim meu amor indefeso

Cruxificado numa esplanada

Junto ao Tejo

Pois claro

O Tejo

Simplificado

Amargo

O círculo do púbis do amanhecer

Sangrando novamente

Sem o querer…

O viver

A almofada do sentir

Prisioneira do servir

Amargo

Beijo

Da lentidão dos desejos

Coitados

Tão poucos

Os beijos

Amargos…

 

Francisco Luís Fontinha

domingo, 6 de Março de 2016


05.03.16

Ausento-me tantas vezes do meu corpo que até me esqueço que existo, verdade, tenho dias que não me pertenço, sou o nada, sou a sonâmbula madrugada vestida de ressaca, o triângulo equilátero suspenso na ardósia do medo, permaneço incrédulo, pasmo, ausento-me tantas vezes…, e nunca regresso ao ponto de partida,

Assim, então, és um desgovernado transeunte disfarçado de mendigo, assim, então, és a poesia trazida dos Oceanos do sono, porra, ignoras-te, sentes na pele a derradeira separação, o frio, a geada, as tardes enganadas em Vila Real, esperando tu, o quê?

Sete dias sem dormir, um bar quase a encerrar, e não tenho para onde ir…

Assim, então, és uma ratazana de esgoto, literatizes-te menino da geringonça, amordaçado pelo tempo,

Fui,

Fazes bem,

Ausento-me tantas vezes

Ontem veio a carta para pagar a electricidade, não tenho dinheiro para a pagar…, foda-se. Quarenta euros? Nem TV tenho, só se for a insuflável boneca que cá deixaste,

Parvo,

Parva,

Ausento.me tantas vezes, dias horas, minutos e segundos, são apenas palavras, palavras, palavras de nada…

Parvo,

De nada.

 

Francisco Luís Fontinha

Sábado, 5 de Março de 2016


04.03.16

Hoje sinto-me um poço de sonhos,

Perdido, como sempre, nesta rua sem saída,

Nesta cidade em despedida

Que me viu partir apenas com uma mochila e um livro na mão…

Papeis poucos, uma esferográfica antiga,

E um beijo,

 

Hoje sinto-me um poço de sonhos,

Galgando o frenesim das almas sem descanso,

E dos cadáveres adormecidos pelo tempo,

Hoje, hoje pesa-me o cansaço da paixão

Que deitei fora numa certa madrugada,

E um beijo… e um beijo em papel.

 

Francisco Luís Fontinha

sexta-feira, 4 de marco de 2016

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