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francisco luís fontinha

Nunca vi o mar, A minha mãe sonâmbula nas noites de cacimbo desenhava o mar no teto da alcofa, um círculo com olhos verdes e sorrisos e cheiros que aprendi a distinguir antes de adormecer, e eu, e eu... francisco luís fontinha.

francisco luís fontinha

Nunca vi o mar, A minha mãe sonâmbula nas noites de cacimbo desenhava o mar no teto da alcofa, um círculo com olhos verdes e sorrisos e cheiros que aprendi a distinguir antes de adormecer, e eu, e eu... francisco luís fontinha.


29.10.16

A locomotiva da paixão

entre curvas e montanhas agrestes

há um apito na minha mão

um som esquisito e confuso

nas despenteadas tuas ventes

o fuso

sangrento do destino

quando galga o muro em xisto

o meu querido menino…

desisto

assisto…

impávido ao descer da madrugada

existo

pensando ser este o meu desatino

nas vozes á desgarrada

sem tino

o meu corpo ensanguentado

nas planícies do amor solidificado

meu olhar desapontado

do casebre abandonado.

 

 

Francisco Luís Fontinha

sábado, 29 de Outubro de 2016


27.10.16

Aqui me deito

sobre o teu peito caiado

pela solidão das náuseas doentes,

aqui me vejo inventado

nas mandibulas das espadas inocentes,

saltitando no sorriso sem jeito…

que as marés transportam entre dentes…

aqui me deito

aqui me vejo,

voando sobre a cidade proibida,

e só.

 

 

Francisco Luís Fontinha

quinta-feira, 27 de Outubro de 2016


22.10.16

Regressam os barcos das manhãs utópicas do sono

inventando marés de tristeza

nas profundezas da solidão.

Sinto-me tão pequenino nas mãos do sofrimento

como um fio de luz quando acorda o anoitecer…

mar adentro,

o meu olhar desaparece nos braços da lua,

e finjo não pertencer a esta cidade,

a esta rua.

 

 

Francisco Luís Fontinha

sábado, 22 de Outubro de 2016


15.10.16

O sítio enigmático deste corpo balançando sobre o mar,

as náuseas do sono suspensas na manhã…

como se o dia fosse uma rua sem saída

numa qualquer cidade sem nome,

o grito arremessado contra a dor

descendo a solidão pelos obstáculos do sonho,

envelheço como envelhecem todas as palavras,

envelheço como envelhecem todos os livros…

e sobre o mar

este caduco corpo disfarçado de espelho,

as fotografias perfumadas…

dentro de um cubo de chumbo,

os rostos desfigurados pelo tempo,

os rostos precipitados contra os rochedos da ausência,

e nas minhas mãos uma flor de cansaço

dentro do amanhecer.

Sinto o destino esquecido no corredor do sofrimento,

as lágrimas de um menino brincando na ardósia da tarde

inventando brincadeiras em papel…

e desenhos na terra queimada pela noite,

da escuridão o vento,

do vento o desassossego do corpo

que os socalcos arrebatam no silêncio da morte,

encosto-me às marés de tédio,

encosto-me aos pilares de sombra que o dia tece

na alcatifa do amor,

as horas tímidas no pulso de um coração aniquilado

pelo desastre da madrugada,

ausência minha nas tuas viagens,

ausência minha nos cabelos do teu olhar…

como o tempo estremece,

e acorda depois da tempestade.

 

Francisco Luís Fontinha

sábado, 15 de Outubro de 2016

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