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francisco luís fontinha

Nunca vi o mar, A minha mãe sonâmbula nas noites de cacimbo desenhava o mar no teto da alcofa, um círculo com olhos verdes e sorrisos e cheiros que aprendi a distinguir antes de adormecer, e eu, e eu... francisco luís fontinha.

francisco luís fontinha

Nunca vi o mar, A minha mãe sonâmbula nas noites de cacimbo desenhava o mar no teto da alcofa, um círculo com olhos verdes e sorrisos e cheiros que aprendi a distinguir antes de adormecer, e eu, e eu... francisco luís fontinha.


25.04.22

As palavras que te escrevo,

Nas páginas da tua mão,

São rosas, são flores,

São grito de canção.

As palavras que te escrevo,

Nos lábios da madrugada,

São incenso,

São silêncios de nada.

As palavras que te escrevo,

Na alegre manhã de liberdade,

São alegria,

São voos de saudade.

As palavras que te escrevo,

Em ti, meu amor,

São a chuva miudinha,

São as lágrimas em flor.

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 25/04/2022


11.04.22

E se despede de ti como se fosses uma lágrima de luz,

 

 

Desce a tempestade sobre a solidão dos dias, em poucas horas, depois do entardecer, a ribeira desparece da imensidão dos socalcos laminados do desejo; todos somos pedaços de nada, quando o nada se enforca no triste silêncio da alvorada.

Amar-te, como se fosses o oiro da manhã.

À hora da despedida, como sempre, a alvorada embainhada no perfume envenenado das sanzalas de prata, a voz das árvores corria montanha abaixo e, pequeníssimos orvalhos adormeciam na tua mão.

Tínhamos no sorriso dois Oceanos de luz e, depois da espera, víamos o cansaço dos triângulos assassinos que se despediam do luar, depois, alguém nos trazia as últimas nuvens de Março, ao fundo o rio fundia-se com as palavras não escritas.

Ouviam-se os gritos melancólicos das esplanadas de prata, o beijo alicerçava-se na tua mão depois de percorrer todas as ruas da cidade, o uivo cansaço impregnado num simples telegrama; morreu de quê, questionava ela.

Luzes clandestinas, telhas de vidro, abstractos farrapos nos teus braços, como sempre,

nas aguarentas planícies do prazer. E sabíamos que um dia tínhamos o mar encurralado como se encurralam os pássaros nas gaiolas de sombra.

Um dia, outro dia, ontem, hoje, a vaidade abraça-se nos lábios do lírio, o poema enforca-se nos lábios do poeta, enquanto o poeta desaparece no cacimbo da vergonha. Que da lareira emerja um pedaço ti, como emergiram os pássaros dos quarteis sitiados depois do toque da alvorada. Depois disso, afagávamos os loiros cabelos do poema que brincava no parque-infantil da aldeia. Escrevo-te;

Escrevo-te nas mãos envenenadas que escondes na algibeira, saltitavas de pedra em pedra, de sorriso em sorriso, escrevo-te recordando as lágrimas das mangueiras que voavam sobre as lápides da saudade, enquanto lá fora, debaixo das sílabas lunares, as palavras mergulhavam nos teus seios poéticos.

Ai a lareira, meu amor!

À hora da despedida, como sempre, sabíamos quando os pássaros adormeciam, como sempre, sabíamos que depois das árvores, os sítios se tornariam frios e escuros.

Sabíamos.

Como sabíamos quando descia a noite.

Como sempre.

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 11/04/2022


17.03.22

Aos teus lábios

Lanço as minhas palavras em desejo,

Enquanto o mar

Se alicerça nos teus cabelos.

Aos teus lábios

Ergo os meus beijos

Como se fossem pássaros de amar

Ou canções de Primavera.

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 17/03/2022

...


14.02.22

Quando te apetece desistir dos teus sonhos e, a pessoa que te ama te diz: não desistas, eu estou aqui. Isso é, dia de S. Valentim.

Quando acordas e percebes que tens uma tempestade sobre ti e, a pessoa que te ama desenha um sorriso no teu rosto, isso é, dia de S. Valentim.

Quando a pessoa que te ama abdica de uma ida a um bar, jantar fora ou de um fim-de-semana porque tens de ficar fechado no escritório à volta de equações, isso é, dia de S. Valentim.

Dia de S. Valentim é todos os dias, todas as horas, minutos e segundos.

 

Ao amor,

 

 

Saboreio-te entre as nuvens manhãs

Como se fosses o fruto poético da alvorada,

A canção que desce a ribeira,

A palavra escrita no teu olhar.

Saboreio-te entre as nuvens manhãs

Como se fosses a jangada invisível dos sonhos,

Quando acorda a noite e,

Temos dentro de nós a saudade.

Saboreio-te entre a nuvens manhãs

Como se fosses o poema quando nasce,

Grita e,

Chora.

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 14/02/2022


26.01.22

Abandonados braços

Que ninguém consegue apanhar,

São flores, são rosas, são cansaços,

Cansaços do além mar.

 

São Primaveras de um simples olhar,

Quando a manhã se ergue na alvorada

São palavras de encantar,

São palavras de nada.

 

Abandonados braços

Que ninguém consegue desenhar,

São gritos, são tumultos, são estilhaços,

Estilhaços de amar.

 

 

Alijó, 26/01/2022

Francisco Luís Fontinha


15.01.22

Esse corpo embalsamado

Que deslisa na minha mão

É verso cantado

É verso canção.

 

Esse corpo em mim deitado

Flor do campo em construção

É o verso cansado

Cansado de minha mão.

 

Cansado do meu verso cantado

Que sobe a montanha da poesia

Cansado na cama deitado,

 

Deitado e em revolução.

É esse corpo embalsamado que eu sentia

Quando resolvo esta equação.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 15/01/2022


04.01.22

Trazias no corpo

Os parêntesis rectos da insónia;

Das palavras às equações do sono,

Triste esta argamassa de cansaço,

Quando o espaço é uma sombra de nada,

Quando o nada…

É cansaço.

Canso-me porquê?

 

Tenho amor,

Tenho comida,

Tenho um tecto onde me esconder;

 

Pior do que eu

Vive a formiga,

Trabalha, não tem palavras para escrever,

Não tem flores para amar.

 

Pior do que eu,

Habitam os pássaros dentro mim,

Não se cansam de cantar,

Não têm medo de escrever,

 

Trazia no corpo

O silêncio de uma noite mal dormida,

O poema em devastação,

Oiço nas tuas palavras,

O mar em suicídio,

Como qualquer homem de coragem;

Porque, acredita, para te matares tens de ter muita coragem…

E felizmente, eu sou um covarde.

 

Um covarde que acredita na vida,

Um covarde com palavras para escrever,

Um covarde quase licenciado na arte de amar…

Na arte de adormecer.

 

E da arte crescem palavras,

Números e equações de sono,

Rolamentos,

Chumaceiras,

Correias e volantes,

E tantas outras doideiras.

 

(Pior do que eu

Vive a formiga,

Trabalha, não tem palavras para escrever,

Não tem flores para amar).

 

 

 

Alijó, 04/01/2022

Francisco Luís Fontinha


01.01.22

Os dias imaginados por um louco,

Dentro de um cubo de vidro,

Dançando um pouco,

Um pouco e um livro.

 

Os dias pouco,

De um livro louco,

Deste corpo touco,

Neste corpo trôpego.

 

Os dias lançados ao vento,

Quando acorda a madrugada;

Dos dias de sofrimento,

 

Nos dias sem alvorada.

E, se não fosse minha amada…


27.12.21

Estes velhos pássaros,

Parvos e sós,

Que deambulam dentro de mim,

São palavras, são canções,

São flores do meu jardim.

 

Estes velhos pássaros,

Verdadeiros e, de voar,

São poemas de amar,

São desejo,

São noites de embalar.

 

Estes velhos pássaros,

Companheiros de dormir,

Espingarda de disparar,

Estes velhos pássaros,

São os pássaros com quem eu posso falar.

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 27/12/2021


26.12.21

Trazias na boca

As mais belas palavras da madrugada,

Sentia-te em mim, como um poema,

Abandonado na cama,

Dançando na alvorada,

Parecendo louca,

Parecendo nada.

Trazias no olhar,

As tontas sílabas perfumadas,

Parecendo migalhas de amar,

Parecendo almas penadas.

Era uma tarde cansada,

Quando o teu corpo vacilava

Na minha mão;

Eram palavras de nada,

Eram palavras do coração.

Trazias no cabelo a boca que beijava,

Na noite ensonada,

Havia uma gaivota que voava,

Havia uma gaivota que sofria,

Havia o teu corpo que dançava,

Sem perceber que sorria.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 26 de Dezembro de 2021

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