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francisco luís fontinha

Nunca vi o mar, A minha mãe sonâmbula nas noites de cacimbo desenhava o mar no teto da alcofa, um círculo com olhos verdes e sorrisos e cheiros que aprendi a distinguir antes de adormecer, e eu, e eu... francisco luís fontinha.

francisco luís fontinha

Nunca vi o mar, A minha mãe sonâmbula nas noites de cacimbo desenhava o mar no teto da alcofa, um círculo com olhos verdes e sorrisos e cheiros que aprendi a distinguir antes de adormecer, e eu, e eu... francisco luís fontinha.


18.08.22

Lamento muito, mas o senhor tem cancro.

- Não lamente, doutor, porque eu só quero voar!

Voar?

- Sim, doutor, voar em direcção ao mar…

 

Desciam as nuvens sobre a aldeia quando uma pincelada de luz poisou sobre o silêncio e na despedida, no final da tarde, ouviam-se os primeiros gemidos dos gonzos enferrujados da insónia, depois, percebemos que tínhamos acordado dentro de um cubículo desabitado e que antes de nós, pelas frestas que nos olhavam através das tristes paredes, tinha pertencido ao poeta suicidado.

- Morreu de quê, doutor?

Enforcou-se nas palavras…

E das palavras se alimentou durante mais de quarenta anos, até que numa alegre tarde de Inverno, junto à lareira, percebeu que essas mesmas palavras eram o veneno invisível que todas as manhãs acordava a seu lado,

- Mas… doutor, eu apenas quero voar… sim, voar em direcção ao mar…

E percebeu que além das palavras, e percebeu que além dos livros, e percebeu que além da doença, tudo em comparação com a possibilidade de voar, em direcção ao mar, eram apenas pequenas sombras que todas as noites dormiam sobre o cacimbo da infância.

E um dia, dos calções, acordou a luz.

- Que descanse em paz,

Como se a morte não fosse o eterno descanso de duzentos e seis ossos e trinta e dois dentes. Mas ele, teimoso, apenas queria voar em direcção ao mar, e que desciam as nuvens sobre a aldeia quando uma pincelada de luz poisava sobre o silêncio, até que uma pequena lâmina de saudade se abraçava a ele, como se a morte não fosse o eterno descanso da puta da pesadíssima enxada da vida,

- Barcos ao fundo.

Silêncios ao alto.

E entre apitos doirados, socalcos e vinhedos, o velho comboio quase a merecer a tão desejada reforma, dançava ao som do pôr-do-sol como se fosse um menino a brincar nos pequenos charcos após as chuvas endiabradas das manhãs de intenso calor. E ele, ainda sentado sobre uma pausa de cansaço, perguntava-me,

- Falta muito, doutor?

E claro que não, claro que não… estamos quase.

- Não lamente, doutor, porque eu só quero voar!

Voar?

- Sim, doutor. Voar como voam os sonhos nas mãos desejadas do sono.

E que do sono se faça a luz; segredava-me ele enquanto vestia as asas silenciadas pelas tempestades de areia numa qualquer longínqua praia em que apenas os pássaros podiam dormir antes de acordar o luar.

- Sim, doutor, voar em direcção ao mar…

 

 

 

Alijó, 18/08/2022

Francisco Luís Fontinha


19.06.22

Assim que acordávamos, ouvíamos o sono que regressava da tempestade deixada ao abandono durante a noite; o cabelo tinha-se-lhe esvoaçado, como as árvores quando se despem para dormir.

O sono levava-a e trazia-lhe o desconsolo de viver acorrentada a uma sombra que alguém tinha trazido da longínqua Angola, na algibeira do avental, algumas palavras despregadas do uivo dos mabecos envenenados pelos sonhos de uma madrugada recheada de pequeníssimos papeis onde habitavam frases de revolta e agonia.

Ouviam-se os pássaros nas ardósias manhãs de Verão, junto ao mar, ou mais longe do que isso, os barcos de cartolina regressavam de mais uma viagem ao infinito; as equações do sono também, por vezes, se faziam acompanhar pela solidão do capim onde se escondiam algumas gaivotas que procuravam as cinzas da tarde. Sabia que um dia, também o seu próprio cabelo, seria a madrugada travestida de sono, que muito mais tarde, se suicidaria junto à baía. Tínhamos medo da noite. Tínhamos medo do sofrimento que depois da tarde se despedia do silêncio que a cada segundo que passava, que a cada minuto de sofrimento, aparecia à janela do cansaço.

Sabíamos que os cabelos eram apenas pequenas sombras que todos os dias iam ao rio em busca da primeira lágrima da manhã. Um dia, junto ao mar, cresceu uma pequeníssima lâmina de sangue, uma ferida que ainda hoje sangra, que ainda hoje dorme numa cadeira que ainda hoje inventa sorrisos no espelho da sanzala.

Assim que acordávamos, ouvíamos o sono que regressava da tempestade deixada ao abandono durante a noite, todos os barcos tinham no olhar um enorme sofrimento que aos poucos dava à costa e contra os rochedos se transformavam em tiras de sono. O corpo começava a desfalecer. O corpo começava em putrefacção e o intenso cheiro a gladíolos era tal que quase adivinhava-se o silêncio que hoje pertence aos grandes petroleiros da cidade.

A cidade envelhecia. O corpo, sangrando como uma velha fonte da aldeia, tinha nas mãos as cinzas dos ossos desfigurados pelos comestíveis cogumelos que só os poemas conseguiam construir no profundo mar das marés em delírio; o corpo sangrava porque existia sobre a pele a fragância laminada de uma tempestade perfeita, depois, eram as cadeiras da cozinha em pequenos gritos que apenas eram sentidos pelos velhos azulejos que numa qualquer sexta-feira alguém deixou ficar debaixo da árvore junto à porta.

Do cabelo, alguns silêncios despertavam. A tinta que às vezes escorria no seu rosto era o principal motivo de se esconder no quarto e desligar o interruptor do sonho que trazia junto ao peito. Todos os brancos cabelos que ela tinha um dia tinha prometido ao criador, hoje eram apenas vestígios de lágrimas e silêncios.

Sabia-se que a morte tinha descido à velha cidade.

Os cabelos brancos tinham, finalmente, encontrado a liberdade.

E do cabelo, alguns silêncios despertavam…

 

 

Alijó, 19/06/2022

Francisco Luís Fontinha


24.07.21

Das asas pigmentadas de silêncio, ouviam-se os uivos apitos que voavam sobre os socalcos pincelados de sombras e sonoras alegrias, que de vez em quando, ao longe, de um barco, às vezes assombrado, alicerçava a tristeza da partida,

Começa o dia na mão dele, de entre os dedos carrancudos, o cigarro avermelhava-se entre cinzas e lágrimas, chamavam-lhe; a saudade.

Partiu sem dizer adeus, nem um beijo, nenhum amigo presente na fala da sua sombra, quando se adivinhava que a morte é apenas uma viagem até ao infinito, de voos baixos, de ziguezague em ziguezague, de socalco a socalco, uma mísera nuvem de espuma brincava na sua mão,

Tinha medo,

Às vezes travestia-se de homem, outras, nem muitas, aparecia nas estantes amorfas dos livros de poesia,

O poema morrer e, ele nem sempre sabia o que significava a morte.

A morte é uma merda, dizia-lhe o pai pássaro, outro, o espantalho, costumava escrever nas rochas do Douro, sabes, meu filho, o cancro é uma merda,

A viagem, o vento levava-o pelas sanzalas da infância, num orgulho que só ele sabia descrever, sentava-se junto ao mar, puxava de um cigarro reutilizado do dia anterior e, em pequenos silêncios segredava ao pássaro alegria; sabes? Sou a criança mais feliz de Luanda.

Todos tínhamos nas mãos o cansaço das equações, das ínfimas matrizes que sobre o caderno adormeciam como crianças pintadas na tela da Mutamba,

Às vezes dá-me sono as palavras tuas,

Nunca soube voar.

Vestia uns calções, sentava-se nas sandálias de couro e, começava a correr até ao Mussulo, desagregado da saliva entre apitos e rumores; um dia vou regressar, um dia,

Nunca regressei.

Hoje, acordei abraçado à mangueira da minha infância, junto a mim, o triciclo da saudade e, mais além, as cartas que nunca tive coragem de te escrever, sabes, meu amor, as palavras parecem-me falsas alegrias, arrotos anónimos nas mãos do carrasco.

As espingardas vomitavam sílabas de azoto, o soldado-menino, escondia-se debaixo do embondeiro mais velho da planície, algures, outro menino-soldado, deslaço devido à preguiça, rebolava-se ribanceira abaixo, até que alguém lhe dizia; oh menino, a espingarda? E, ele, timidamente, respondia,

Fugiu, meu senhor, fugiu como uma bala em direcção ao nada.

Nunca soube voar. Aprendi as primeiras letras e números debaixo de um zincado telho telhado, talvez hoje, seja apenas uma igreja imaginária, apenas sombra, apenas nada.

O poema voava na sua mão. Entre os dedos, desenhava-lhe os seios colocando-lhes pequenas aspas, ou inúmeras saliências, ou apenas nada.

Nada tudo dentro de uma louca equação de areia. O barco recheado de fumo, levante e de um outro adeus; amanhã saberei o seu nome.

Amanhã, meu amor.

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 24/07/2021


11.11.20

Ouvi hoje (11-11-2020) na TSF o grito de alerta da Sociedade Portuguesa de Oncologia. Lamentável. Milhares de cancros não estão a ser diagnosticados devido à obsessão por parte das autoridades com a COVID-19.

Não se fazem rastreios, tratam-se mal os doentes oncológicos, e afins.

Como filho de doentes oncológicos, mortos no espaço de quatro anos, também me apetece gritar. Conheço, infelizmente o drama destes doentes e suas famílias. Horrível, apenas isso.

A COVID-19 existe, mas é apenas mais um vírus que vamos ter de aprender, a partir de agora, a conviver com ele.

Não abandonem os doentes oncológicos.

 

 

Francisco Luís Fontinha

11/11/2020


08.11.20

O fim de tarde, minha querida.

A cidade vomita palavras abstractas que só a tempestade sabe prenunciar.

As flores poisadas na tua lápide parecem lágrimas de pássaros esquecidos nas árvores de ontem,

Procuro por um corpo, nada encontro e, apenas uma esquina de luz, longe, bem longe, acorda das sombras onde te deitas.

Vai distante o teu olhar de bom dia pela manhã,

Erguem-se as abelhas da colmeia colorida pelo silêncio da despedida,

Um SIM, um NÃO, ou… um apenas talvez,

Se deita no teu peito.

Visito-te todos os dias,

Conversamos,

Falamos sobre poesia,

Pintura,

Falamos das tardes inquietas de Luanda… ao final do dia.

Nada me falta, minha querida.

Tenho tudo e, nada tenho.

Não me apetece abrir a ponta de entrada, para este cubículo desorganizado, entre livros e rochedos, mesmo assim, nunca consegui, depois de te despedires de mim, olhar o mar.

Abro a janela, o mar longínquo deseja-me como um louco e, ainda hoje, minha querida, tenho medo da (lhá).

Um pilar de areia cai sobre a calçada.

Lágrimas de papel vivem disfarçadas no teu rosto; hoje, não choras.

O sangue invisível que corria nas tuas veias, hoje, é apenas uma fina lagoa azul suspensa na tarde, nada mais, minha querida, nada mais…

Hoje és apenas uma equação de fé que deambula pela casa descalça;

O medo.

Amanhã, quem sabe, “O fim de tarde, minha querida”.

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 08/11/2020

...


08.11.20

A morte é uma merda, companheiro. Perdi o pai, perdi a mãe e, qualquer dia, talvez, perco-me a mim. O cancro é uma merda, companheiro. Só se fala no COVID-19 e esquecem-se os filhos do cancro, sabes, companheiro, a vida é uma merda. Aqueles filhos, filhas, pai, mãe, marido, mulher e tantos outros que se perderam nos túneis do cancro, mas claro, o COVD-19 é mais importante…

Perdi o pai, perdi a mãe e, hoje já não choro, às vezes grito, em silêncio, mas não choro. Sabes companheiro, tinha apoio psicológico por ter perdido os pais em quatro anos por cancro, mas com a pandemia, deixei de o ter; o COVID-19 é mais importante do que o resto.

Perdi o pai, perdi a mãe, mas hoje, hoje não choro.

A vida é uma merda, companheiro, às vezes todas as flores do no nosso jardim são estúpidas, são nocturnas cidades em cio e, mesmo assim, gosto delas. O Sal que alimenta a ferida do cansaço, os incêndios entre palavras que consomem resmas de papel higiénico e, dou-me conta que todos os meus livros apena servem para limpar o cu dos meninos crescidos à beira de sanzala de prata: a chuva miudinha das marés, o corpo envelhece no falso oiro, como mandibula açucaradas junto a um precipício, também ele, quase sempre, cansado de viver entre quatro paredes.

O cancro, companheiro, a morte, companheiro, são uma merda.

 

 

Francisco Luís Fontinha

08/11/2020


28.11.19

Subo vertiginosamente as escadas da saudade.

Pego na tua fotografia, recordas-me um sorriso de nylon.

Amanhã, vou partir para o infinito amanhecer.

Sem perceber,

Que dentro da saudade,

Habita o beijo.

Abraço-te no invisível tempo,

Como uma barcaça desnorteada junto ao cais.

Finjo.

Minto.

Escrevo-te, sabendo que nunca me vais ler…

Porque os esqueletos não lêem…

Nem choram.

Subo vertiginosamente as escadas da saudade.

Sento-me no teu colo,

Preciso dos teus mimos,

Preciso de tocar nas tuas mãos…

Enquanto seguras religiosamente o terço da esperança.

Não vou dormir,

Enquanto, lá fora, chove.

Tenho medo da chuva.

Tenho medo da claridade,

E só a noite,

Consegue alimentar estas tristes paredes de alvenaria…

Grito.

Ouves-me?

Não.

Não me ouves.

E eu oiço os teus gemidos esquecidos num quarto de hospital,

Oiço o cansaço da tua voz…

Que me dia;

Amo-te, meu querido.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

28/11/2019


21.11.19

Tenho saudades das tuas mãos poisadas no meu rosto,

Quando ao longe, um rio encurvado, dormia na sombra da montanha.

Tenho saudades do teu cabelo, como pingos de chuva, aos poucos, voando pelo jardim.

Tenho saudades do teu olhar, pela manhã, se impregnava no meu olhar.

Tenho saudades do teu sorriso,

E das flores do teu sorriso.

Tenho saudades da tua sombra,

Do teu perfume,

E das janelas coloridas que desenhavas no meu berço.

Tenho saudades do mar,

E dos barcos brincando no mar.

Tenho saudades de uma Luanda quando eu suspenso na tua mão…

Me recusava a caminhar.

Tenho saudades da escuridão,

Da noite,

E da tua canção.

Tenho saudades dos teus papagaios em papel, colorido, como o arco-íris.

Tenho saudades da claridade,

Dos rabiscos que eu fazia nas paredes da nossa casa,

E das mangueiras abraçadas a mim.

Tenho saudades dos aviões,

Dos gelados no Baleizão…

E de outras ocasiões.

Tenho saudades do circo,

Dos palhaços,

E dos trapezistas disfarçados de palhaços.

Tenho saudades, muitas, de ti, minha querida.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

21/11/2019


15.09.19

Sabes, mãe?

Diz, meu querido filho…

Os pássaros, os pássaros querem levar-te!

A mim?

Porquê?

Não o sei, mãe…

Não o sei.

Lembras-te, quando construías papagaios em papel para brincarmos debaixo das mangueiras, em Luanda?

E tu deliravas…

Brincávamos às escondidas e tu escondias-te na sombra das bananeiras, ficavas invisível, como hoje, invisível para mim,

Cerras os olhos, pintas nas paredes da insónia o nome do teu querido filho, sempre à espera de regressar ao Mussulo, lembras-te, mãe?

Tão branca e fina a areia…

Olha,

Sim filhos!

As bananeiras estão crescidas, lindas como tu…

Sabes meu filho? Sim mãe!

Tenho saudades das brincadeiras que fazíamos quando tu menino,

O triciclo em madeira a chilrear quintal a fora, o pôr-do-sol junto ao mar, os barcos que tu tanto amavas, escrevias poemas nas âncoras da saudade, agora, agora pareces um esqueleto gritando em voz alta…

Vão embora pássaros!

Sim mãe, agora preocupo-me com estes malditos pássaros que te perseguem e te querem tirar de mim,

Mas mãe!

Sim, meu filho!

Nunca. Nunca vou deixar que os pássaros te levem.

 

 

 

Vila pouca de aguiar, 15 de Setembro de 2019

Francisco Luís Fontinha


28.03.19

O que é hoje o jantar?

Talvez nada,

Livros,

Ou,

Palavras,

Natas,

Cegonhas recheadas,

Poesia, hoje o jantar é poesia,

Não sei se gosto,

Não desgosto,

Talvez adore,

Olhe, menina…

Nunca experimentei.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

28/03/2019

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