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francisco luís fontinha

Nunca vi o mar, A minha mãe sonâmbula nas noites de cacimbo desenhava o mar no teto da alcofa, um círculo com olhos verdes e sorrisos e cheiros que aprendi a distinguir antes de adormecer, e eu, e eu... francisco luís fontinha.

francisco luís fontinha

Nunca vi o mar, A minha mãe sonâmbula nas noites de cacimbo desenhava o mar no teto da alcofa, um círculo com olhos verdes e sorrisos e cheiros que aprendi a distinguir antes de adormecer, e eu, e eu... francisco luís fontinha.


22.01.22

Sem Título.jpg

O teu corpo;

A sebenta onde adormeço o poema cansado,

Onde deito os beijos desejados,

Entre o espaço abraçado,

Entre os versos envenenados.

 

O teu corpo;

Engraçado,

Equação sem nome

E que brinca no caderno quadriculado,

No cansaço sem fome,

 

Do cansaço aguentado.

O teu corpo desejado

Que caminha sobre o mar,

É o teu corpo argamassado,

Argamassado nos poemas de amar.

 

 

Alijó, 22/01/2022

Francisco Luís Fontinha


19.12.21

Desço o teu corpo

Até encontrar a fina madrugada.

Na tua pele de amanhecer,

Habita a fogueira enamorada,

Das palavras de escrever,

Nas palavras de brincar,

 

Desço o teu corpo

Maré de mar,

Rocha incandescente a arder,

Rocha amorfa que não sabe falar,

Falar sem querer,

Querer que lá longe, lá longe zarpar

 

Para a lua a crescer.

Desço o teu corpo ancorado

Na minha mão desleixada,

Que pertence a este corpo envenenado,

Envenenado pela madrugada,

Desço o teu copo,

 

Até às profundezas do amanhecer,

Cidade assassina,

Cidade a arder;

Onde brinca um menino traquina,

Desço o teu corpo,

Teu corpo de sofrer…

 

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 19/12/2021


04.12.21

Mulher,

Silêncio que se despe em mim,

E mergulha na noite em papel;

A ousadia de viver,

Vivendo neste jardim,

Jardim a crescer,

Junto a este hotel.

 

Mulher,

Canção envenenada, palavra em revolta.

Mulher, criança mimada,

Mimada à minha volta.

 

Mulher,

Flor silêncio que se despe em mim,

Da noite em combustão,

Mulher,

Mulher de mim,

De mim, corpo paixão.

 

Mulher,

Corpo vestido de morte,

Cansaço desta montanha apagada,

Morte de má sorte,

Sorte em ser geada.

 

Mulher,

Que te vestes de mulher,

E ousas ser outra mulher.

Não te vistas,

Nem te ouses.

Mulher é mulher,

É poema,

Verso enfeitado,

Mulher é flor;

Não o sejas porque alguém o quer,

Porque mulher

É chama,

É livro envenenado,

É palavra e é amor.

Mulher,

Mulher é mulher,

Mulher é flor,

Mulher é amor.

 

Mulher,

Silêncio que se despe em mim,

E mergulha na noite em papel;

Mulher,

Não queiras ver o meu jardim,

Jardim de mulher,

Mulher

É amor,

É flor;

Mulher

É mulher,

Mulher é palavra semeada,

Mulher,

Mulher é livro, mulher é batel,

Mulher é poesia encantada,

Mulher,

Mulher é mulher,

Mulher de geada.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 4/12/2021


07.11.21

Abraço-te, sentindo que da lentidão das coisas,

Acordam na tua mão as rosas floridas,

Abraço-te, sabendo que na lentidão das coisas,

Vivem todas as palavras sofridas.

Abraço-te, sabendo que nos braços da lentidão das coisas,

Escrevem-se livros de poesia e, desenhos de viver,

Escrevem-se também, as palavras que ela sentia,

Nas palavras de morrer.

E de dizer.

Abraço-te, abraçando-me à lentidão das coisas,

Um perfume envenenado,

Talvez, como das outras vezes,

Um corpo ensanguentado,

Ou uma donzela em translação,

Talvez um corpo queimado,

Talvez, talvez uma enorme ferida no coração;

E, mesmo assim, houve uma vez,

Onde senti a neblina cansada da escuridão.

Abraço-te, quando na lentidão das coisas,

Regressa a noite bem vestida,

Se senta na esplanada da vida,

Grita,

Grita para a alvorada,

E ouve da enxada maldita,

O silêncio das abelhas em gargalhada.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 07/11/2021


04.11.21

Das fragas selvagens da vida cansada,

Sentadas na sombra infinita do luar,

Às fragas invisíveis desta madrugada,

Agachadas junto ao mar.

 

Dos limites incompreendidos do anoitecer,

Quando um menino sentado à lareira,

Não se cansa de escrever,

Escrever à sua maneira.

 

Ele, só, semeia as palavras da alvorada,

Dentro das nuvens em vidro adormecido.

São canções à desgarrada,

 

São canções de amar,

Amar o corpo sofrido,

Sofrido antes de falar.

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 4/11/2021


03.08.21

Há um corpo de rosas

Pincelando os meus braços.

Lábios de espuma

Abraçados ao meu sorriso,

Há um corpo recheado de palavras

Que brincam no meu olhar,

A bruma,

Nos seios do mar.

Há um silêncio amanhecer

Que me ilumina,

Desenha e,

Alimenta na alvorada,

Há um corpo de rosas

Pincelando a madrugada.

Há a sombra das sílabas

Voando sobre o meu cabelo,

De vento em vento,

De socalco em socalco,

Semeando o medo,

O medo invisível dos rochedos envenenados pela paixão;

Há o teu corpo veneno,

Descendo a noite cinzenta da cidade,

Há no teu corpo o sorriso…

O sorriso da felicidade.

Há na minha janela o retracto de uma infância feliz,

Quando as palavras te pertenciam,

Há no teu corpo um grito,

Do cio que pincelo até às nuvens que fugiam.

Há um corpo vazio,

Recheado de flores,

Palavras,

Amores;

Há um corpo. O teu. Todas as noites na minha mão.

Há um corpo a preto e branco,

Que só a tela da saudade consegue escrever,

Na noite,

A mão que te faz crescer.

 

 

Francisco Luís Fontinha, Alijó – 03/08/2021


10.02.21

DSCN3224.JPG

Sabíamos que era Sábado porque estava escrito na parede da sala. Os gonzos pareciam envenenados pelo silêncio e, uma sombra ténue projectava a insónia da pilha de livros junto à janela. O rio durante a noite tinha galgado o quintal, ao menos, apenas as árvores ficaram submersas, como se fossem corpos embalsamados dentro do tumulo.

Ia à janela, puxava de um cigarro e, desenhava palavras na vertente norte da solidão, poisava a minha mão na mão dela, acariciava-lhe o sorriso com um pequeníssimo olhar e, percebi que tenho mais jeito para escrever do que ser engenheiro; às vezes sinto o peso dos retractos nos ombros, uma sensação estranha que só percebo depois de acontecer. Entre momentos, pequenos instantes, pincelava-a com o meu olhar de transeunte desnorteado à procura de um milagre. Precisava mesmo de um milagre, segredava-lhe ele ao ouvido.

Era um gajo antipático com um feitio de merda, não gostava de multidões e, sempre que era Sábado, religiosamente como quem vai à missa das dezoito horas, dava-lhe na telha de pegar nos álbuns de fotografias e, entre silêncio, manuseava cada retracto como se fossem simples flor. ,

Hoje o rio estava cansado; tal como ele se sentia todos os Sábados ao acordar.

Prisioneiro das sombras do Além.

Escrevo cartas a Deus. Envio-as para o endereço mais curto que conheço; Avenida das Almas, nº 5 – Lisboa. Nunca obtive resposta. As palavras, quando escritas para ele, adornavam-se em cima de uma secretária bolorenta, carcomida pela ferrugem dos sonhos, que durante a noite, boiavam nos socalcos do medo.

Nunca me levas a passear.

E, é hoje que vamos passear. Levamos umas laranjas, alguns poemas e, fazemos um piquenique literário.

Como assim?

A ponte, meu amor.

As coisas boas, meu amor.

Este gajo é insuportável. Pronto, disse.

Sabíamos que era Sábado porque estava escrito na parede da sala. Os gonzos pareciam envenenados pelo silêncio e, uma sombra ténue projectava a insónia da pilha de livros junto à janela. O rio tinha acordado com uma tremenda dor de costas, ora bem, a idade também não ajuda e, o caminho é tumultuoso, de pedra entre pedra, contando pontes e pontões, já tinha caminhado por baixo cerca de trinta e cinco, não esquecendo o lixo que tem de transportar até à Foz.

Tudo é lindo quando acaba bem, segredava-lhe ela ao ouvido.

Sabes, dizia ele, até parece que hoje é Sábado.

Sábado, hoje?

Sim, fui ao cemitério e vi muita gente para um normal dia. Coloquei-lhes flores, velas e, conversei com eles. Têm sempre uma palavra carinhosa para comigo, não admira, sou filho.

A ponte, meu amor.

Nunca me levas a passear.

Sábado, meu amor. Sábado.

 

 

Francisco Luís Fontinha, Alijó 10/02/2021


09.08.20

Sou eu. Sou eu, o silêncio suspenso nos teus lábios de acrílico suspiro, a madrugada pincelada na tela inventada pela noite, regressam as sombras dos automóveis cansados, quando todas as ruelas da cidade, desenhadas pelo luar, são apenas sombras, manhãs desesperadas, corpos embalsamados, esqueletos de papel semeados nos campos marítimos do desejo,

Amo-te.

Sou eu, a claridade das tuas mãos quando acariciam o meu rosto de xisto, deitado sob a clarabóia do amanhecer,

Um barco, meu amor,

Um barco deitado sob a clarabóia do amanhecer, os suspensórios tristes que pegam nas calças calcinadas pelo vento da manhã, meu amor, um barco de espuma, um lençol de vómito descendo a calçada em direcção ao rio, lá longe,

Amas-me?

Um pequeno alfaiate desenhando sílabas na areia do Inferno, automóveis cansados que se apião nos apitos nocturnos da insónia, valha-me meus, menina,

Sim, meu amor,

A menina é tão bela, como o silêncio de todas as esplanadas, no Verão, antes de abrirem as cancelas da solidão, pego no teu olhar, imagino um carrossel de sémen brincado no sótão do homem de negro, dos olhos, a venda espelhada dos fins de tarde, nem mais, uma criança grita pelo papel vegetal que alimenta a mão do artista,

Então os desenhos?

Estão quase, repentinamente escreve ele no muro da imaginação, olho-te e, escrevo-te, entre parêntesis e pontos de interrogação,

O texto, meu amor,

O texto constrói-se na tarde, invento meninos de chumbo perfilados na avenida, todos de máscara, como os espantalhos de Carvalhais, amanhã

Amas-me?

Amanhã todos os santos são estátuas de sofrimento, altares de espuma esperando o regresso do comboio, o sem-abrigo procura sombras na imensidão da cidade, e tu, meu amor

Amanhã,

Abrem-se as cancelas do desejo, existe em ti o infinito amanhecer, descalço, como medo de amr, corre, corre em direcção ao mar, porque

Amanhã?

Sim, porque amanhã a noite será uma jangada de vidro no silêncio dos rochedos enamorados pelo abraço.

Sempre em ti, este cansaço de amar.

Romântico amanhecer.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 09/08/2020


09.01.20

O corpo envergonhado pelo cansaço do amanhecer.

A tristeza das árvores que sombreiam o corpo envergonhado pelo cansaço do amanhecer.

As flores que atropelam o corpo envergonhado pelo cansaço do amanhecer.

As cinzentas cidades que abraçam o corpo envergonhado pelo cansaço do amanhecer.

O corpo envergonhado,

Atropelado,

Pelo cansaço do amanhecer.

O sangue que ilumina o corpo,

Circunflexa paixão,

Quando ardem as nuvens,

Cansadas do amanhecer.

O corpo vergado pela solidão,

No cansaço do amanhecer.

As mãos que sustentam o corpo,

Cansado pelo amanhecer.

O frio que beija o corpo,

O amanhecer cansado nas lâminas do corpo,

Que envergonhado pelo cansaço do amanhecer,

Chora,

Grita,

Morre,

Sem alma,

Sem vida,

Sem palavras,

O corpo uiva,

Levita…

No cansaço do amanhecer.

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

09-01-2020


11.11.19

Se tu soubesses o quão escuro e frio é o dia,

Não me trazias a noite.

Não me davas as palavras,

Que vagueiam em mim,

Todos os finais de tarde.

As rosas morreram e os plátanos despedem-se do meu corpo,

Como uma jangada de vidro,

Perdida no Oceano.

Se tu soubesses o quão é triste adormecer,

Nesta cama de fantasmas,

Até que o dia acorda,

Nasce,

E em cada nascimento,

Ele me traz o sofrimento.

Se tu soubesses o quão frio são estes livros,

Sem a tua ausência…

Não tinhas partido para o Infinito.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

11/11/2019

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