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francisco luís fontinha

Nunca vi o mar, A minha mãe sonâmbula nas noites de cacimbo desenhava o mar no teto da alcofa, um círculo com olhos verdes e sorrisos e cheiros que aprendi a distinguir antes de adormecer, e eu, e eu... francisco luís fontinha.

francisco luís fontinha

Nunca vi o mar, A minha mãe sonâmbula nas noites de cacimbo desenhava o mar no teto da alcofa, um círculo com olhos verdes e sorrisos e cheiros que aprendi a distinguir antes de adormecer, e eu, e eu... francisco luís fontinha.


22.09.22

Todos os dias,

Estas tristes janelas se encerram,

E o sol…

Esconde-se nos arbustos do cansaço,

Todos os dias,

Há luar na minha noite,

Todas as noites,

Há palavras nos meus tristes lábios,

Todas as horas,

Todos os dias,

A solidão dos dias,

A solidão das horas,

Quando um velho relógio

Se esconde na alvorada,

Um transeunte invade o jardim do sonho…

E as minhas acácias morreram de saudade,

Todos os dias,

Dias em pequenos voos sobre o mar,

Todas as horas,

Todas as palavras,

Todos os dias em delírio…

Nas nuvens encarnadas,

Depois,

O sangue laminado

Jorra na planície do medo,

As janelas encerradas,

A padaria fora de serviço,

O café amargo…

Entre dias,

Depois dos dias,

Nas horas sem dias…

E pergunto-me

Quando acordam os cisnes do teu olhar,

Sabendo que todas as janelas,

Todas as horas,

Todos os dias,

Minutos,

Segundos de nada…

Deste calendário envenenado,

ENCERRADO.

 

Alijó, 22/09/2022

Francisco Luís Fontinha


15.12.13

foto de: A&M ART and Photos

 

a minha cidade despede-se do teu corpo em decomposição

um putrefacto sorriso acorda nos lábios da solidão

a minha cidade vive

como serpentes dentro de um aquário

a minha cidade é um corredor sem saída...

a minha cidade vive

e escreve nas paredes do medo

o silêncio prometido

 

a minha cidade és tu

nua despida em pedaços de leito das avenidas perdidas

a minha cidade dança

tem mãos de seda

e seios de indefinidos sons com abraços de musicalidade em palavras vãs

vãos de escada em sofrimento desejando o trono da fortuna

nua

tua mão singular no meu peito plural

 

o pronome avança contra o néon de sémen

e os telhados da minha cidade

ardem

como loiros cabelos suspensos nos arames do suicídio...

a minha cidade é uma puta com edifícios escumalha em lãs madrugadas

ovelhas

cabras...

e... e pequenos nadas.

 

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

Domingo, 15 de Dezembro de 2013

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