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francisco luís fontinha

Nunca vi o mar, A minha mãe sonâmbula nas noites de cacimbo desenhava o mar no teto da alcofa, um círculo com olhos verdes e sorrisos e cheiros que aprendi a distinguir antes de adormecer, e eu, e eu... francisco luís fontinha.

francisco luís fontinha

Nunca vi o mar, A minha mãe sonâmbula nas noites de cacimbo desenhava o mar no teto da alcofa, um círculo com olhos verdes e sorrisos e cheiros que aprendi a distinguir antes de adormecer, e eu, e eu... francisco luís fontinha.


20.10.22

Caem de ti

As sílabas do silêncio,

Árvore enamorada,

Caem de ti

As pequenas lágrimas

Sobre esta calçada,

Caem de ti

As minhas tristes palavras…

 

Palavras de nada.

Caem de ti

Os cabelos cinzentos do destino,

Caem de ti

Os pássaros enforcados,

Nas mãos daquele menino.

Caem de ti

Todos os corações amargurados.

 

 

 

Alijó, 20/10/2022

Francisco Luís Fontinha


29.08.21

O que faz esta janela encerrada na minha mão?

Pergunta-se ele, pensando que alguém o ouve. Sempre que puxa de um livro, a poesia nasce,

Dorme,

Morre,

Nas palavras que escreve.

É tarde, meu amor, ouvem-se os apitos gemidos do teu corpo e, dentro dos gonzos da solidão, oiço os pássaros rio acima.

O corpo sofrido, amar-te antes que adormeça o dia, morra a noite

E,

Se escreva na tua mão o esplendor da inocência adormecida. Pensando melhor, amanhã, deixarei de semear as palavras da saudade,

Nunca.

Esquecerei aquele rio embriagado,

Cansado,

Triste de mim.

Há na tua sombra, o retracto da menina envenenada pelo desejo, num qualquer quarto de hotel, de terra em terra, de circo em circo, de mar em mar,

Amar-te; depois das doze horas,

O lençol espreguiça-se contra nós e, sentimos o peso das carícias que só os poetas sentem e, percebem. O palhaço rico, o palhaço pobre e o defunto, todos aos gritos de encontro à enxada da vaidade. Esqueço-me de acordar, levanto e vou de encontro ao cortinado ainda sonâmbulo e, aos nocturnos esqueletos, a luz que apaga a imagem que durante a noite,

Ela,

À noite o que é da noite.

As sílabas estonteantes, os gritos deste palhaço à muito embebido no éter málico das tempestades de Agosto,

Sinto-o,

Diz-me ela.

Tem quatro relógios, nenhum deles escreve as horas, faltam-lhes a fome que antes tinham e sentiam e, que hoje quase nada podem comer. Segundo a lâmpada do escritório deverão ser qualquer coisa como depois das vinte e três,

Horas,

Minutos,

Segundos de vida.

(Se escreva na tua mão o esplendor da inocência adormecida. Pensando melhor, amanhã, deixarei de semear as palavras da saudade,

Nunca.

Esquecerei aquele rio embriagado,

Cansado,

Triste de mim).

Os barcos, meu senhor, são para venda?

Para comer não serão eles, responde-lhe,

E muito bem, quem neste reino se alimenta de barcos?

O velho, o macaco e a tia.

O velho pensava que fodia,

O macaco,

Da tia,

Abram-se os alicerces da memória, escrevam-se as escrituras da terra adormecida, levantem-se os esqueletos da prefeitura,

E

Não!

Ninguém sobrevirá a este tremendo castigo; escrever

Depois da morte

E, viver.

Vive-se de quê?

Da sorte.

Envenenado pelo silêncio, ou

Sempre que quero

Foge.

Amanhã,

Hoje,

As cinco pedras do destino.

 

--------------

À noite o que é da noite.

As sílabas estonteantes, os gritos deste palhaço à muito embebido no éter málico das tempestades de Agosto,

Sinto-o,

 

Neste Agosto perdido.

Neste Agosto sofrido.

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 29/08/2021


11.03.20

O tempo silencia os teus lábios de cereja adormecida,

Quando a nuvem da manhã,

Poisa docemente no teu sorriso;

Há palavras na tua boca,

Que absorvo com saudade,

E, nada me diz, que amanhã será uma manhã enfurecida pela tempestade.

Subo à sombra do teu olhar,

E, meu amor,

O cansaço da solidão deixou de acordar todas as manhãs.

Fumamos cigarros à janela,

Dentro de nós um volante de desejo,

Virado para a clarabóia entre muitas janelas,

Portas de entrada,

Escadas de acesso ao céu,

E, no entanto, o fumo alimenta-nos a saudade,

Porque lá longe,

Um barco de sofrimento, ruma em direcção ao mar.

É tarde,

A noite desce,

O holofote do silêncio, quase imparável, minúsculo, visto lá de cima,

Ruas, caminhos sem transeuntes, mendigos apressados,

Vagueando na memória.

STOP. O encarnado semáforo, cansado dos automóveis em fúria,

Correm apressadamente para Leste,

Nós, caminhamos para Oeste,

E, nunca percebemos as palavras que as gaivotas pronunciam,

Em voz baixa,

Com os filhos ao colo,

Sabes, meu amor?

Não.

Amanhã há palavras com mel para o almoço,

Dieta para o jantar,

E beijos ao pequeno-almoço;

Gostas?

Das nuvens da manhã?

Ou… dos pilares de areia que assombram a clarabóia?

Nunca percebi o silêncio quando passeia de mão dada com a ternura,

De uma tarde junto ao rio,

Ele, folheia um livro,

Ela, tira retractos aos pássaros,

E, porque te amo,

Também vagueio,

Junto ao rio,

Sem perceber o meu nome,

Que a noite me apelidou,

Depois do jantar,

Numa esplanada de gelo.

O ácido come-me, a mim, às palavras, como a Primavera,

Num pequeno quarto de hote,

Entre vidros,

Livros,

Palavras,

E, desenhos.

(aos depois)

Nada.

Brutal.

Os comprimidos ao pequeno-almoço.

Fim.

Amanhã, novo dia, nova morada, beijos,

Cansaços,

Abraços,

E, portas de entrada.

O amor é luz.

O amor são flores, árvores e, pássaros.

E pássaros disfarçados de beijos.

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

11/03/2020


20.12.15

Neste porto onde me encontro fundeado pareço um pergaminho desgovernado,

As palavras fugindo para o Cais dos Afogados

Como se houvesse um silêncio em cada palavra escrita,

Deixei de pertencer ao meu corpo,

Deixei de ter corpo,

Para alimentar o desassossego da solidão,

Neste porto

Um infeliz marinheiro sem Pátria,

Em busca da sua embarcação…

Fundeada nos meus braços,

Carrego nos ombros a morte,

O infeliz destino de ser menino,

 

Carrego nos ombros a forca

Dos telhados de vidro…

E o triste destino.

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

domingo, 20 de Dezembro de 2015


20.11.15

Este triste rio

Que desabraça as suas margens

Que troca o silêncio da noite

Por gaivotas em papel

E barcos de sombra

Agacha-se quando a solidão brinca no vento

Sorri quando a melancolia voa sobre os coqueiros

Este triste rio

Que habita no meu peito

Não dorme

Não come…

Mas ama

E sofre

Como eu

Uma caravela sem destino

No estrelar do desejo.

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

sexta-feira, 20 de Novembro de 2015


08.11.15

não sei quem és

porque me desejas

o que queres

aspiras

inspiras

deste meu corpo desajeitado

desassossegado

triste

abandonado

não sei quem és meu amor

não sei se és uma árvore

uma flor

não sei quem és

meu amor

quando o dia se alicerça nos teus lábios

os beijos

a boca semeada na seara distante

o infinito

longínquo

distante

de mim

de ti

meu amor

senti

sem ti

o infinito

desgosto

da madrugada ente soníferas equações

e seios desnudos

camuflados na espelunca cânfora manhã indivisa

o sono

a brisa

em ti

e de mim

um abraço…

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Domingo, 8 de Novembro de 2015


08.10.15

Invento as lágrimas da solidão

Sobre o papel amarrotado da paixão,

O significado da morte esvaece-se no corpo de um sonâmbulo,

O mar que desenhei no teu olhar…

Não existe mais,

Nem o mar,

Não existe mais,

Nem o teu olhar,

 

Invento as lágrimas da solidão

Antes do regresso da noite vestida de canção,

Perdeu-se nas palavras adversas, perdeu-se nas planícies submersas…

Dos jardins suspensos da madrugada,

 

Visivelmente cansado…

 

Inventar objectos estranhos como as lágrimas da solidão

Em combustão,

Sobre o papel amarrotado da paixão,

Visivelmente cansado,

Sem destino,

Sem uma mão,

Caneta…

Para escrever no coração da tristeza…

 

Este menino,

Visivelmente cansado,

Sem destino…

Dorme docemente na sombra do abismo.

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Quinta-feira, 8 de Outubro de 2015


29.08.15

desenho_30_08_2015.jpg

(desenho Francisco Luís Fontinha – Agosto/2015)

 

Deixou de habitar este corpo a paixão diabólica da alma sem destino,

Deixaram de escrever as palavras do vento estas mãos esfarrapadas,

Longínquas do olhar da madrugada,

O medo alicerça-se ao peito, as facas do silêncio grunham como as serpentes envenenadas pela noite,

O tédio quando esqueço a solidão e construo círculos de luz nos teus seios…

O teu corpo desabitado, encurralado nas cordas de nylon dos Oceanos mendigados,

E não consigo perceber o amor das flores desenhadas nos teus lábios perfumados,

Como nunca percebi o desejo em mim do estranho luar…

E este mar, meu amor,

Crucificado nas espingardas do coração abandonado,

Semeado nas searas do cansaço…

É triste, meu amor…

Deixar de habitar este corpo a paixão diabólica da alma sem destino,

É triste, meu amor…

Cair sobre mim o tecto do sofrimento junto ao Tejo,

E os Cacilheiros na minha boca… sufocando-me com o relógio enforcado nas pontes do Cacimbo fugindo do pôr-do-sol…

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sábado, 29 de Agosto de 2015


31.05.15

Este negro espelho

Abraçado à solidão do cansaço

O sonho embainhado nos alicerces da noite

Como se a noite fosse o cobertor

Protector

Da alegria

Não sentida

A vida a escoar-se montanha abaixo

E o rio enforcado no socalco esquecido pelo homem

Dos sonhos

Entre sonhos

A poeira das fotografias,

 

Abandonadas

E perdidas,

 

Este negro espelho

Sem coração

Que o dia entristece

E aquece

Na lareira da dor,

 

E há uma fogueira no meu peito

E há um esconderijo nos meus braços

Prateados

Das doces pálpebras do destino,

 

O menino,

 

Este negro espelho

Espantalho do sofrimento

Que só o sono consegue alimentar

E na lareira da dor

As cinzas parcas dos eléctricos

A cidade ignora-me

Mas não me importo com as cidades

Os rios

O mar

Os barcos

O menino…

Perdido na esperança de acordar.

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Domingo, 31 de Maio de 2015


31.01.15

Pintura_55_A1_Nova.jpg

(desenho de Francisco Luís Fontinha)

 

 

Roubaste-me o sorriso nocturno dos beijos em flor

pegaste nas minhas palavras e transformaste-as em solitárias andorinhas

depois

trouxeste a Primavera

e o amor

do poema

de amar o poema

e sentir no peito as equações do destino...

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sábado, 31 de Janeiro de 2015

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