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francisco luís fontinha

Nunca vi o mar, A minha mãe sonâmbula nas noites de cacimbo desenhava o mar no teto da alcofa, um círculo com olhos verdes e sorrisos e cheiros que aprendi a distinguir antes de adormecer, e eu, e eu... francisco luís fontinha.

francisco luís fontinha

Nunca vi o mar, A minha mãe sonâmbula nas noites de cacimbo desenhava o mar no teto da alcofa, um círculo com olhos verdes e sorrisos e cheiros que aprendi a distinguir antes de adormecer, e eu, e eu... francisco luís fontinha.


29.12.13

foto de: A&M ART and Photos

 

um pequeno silêncio de espuma verde envolvia o teu corpo

a nuvem do desejo acordava lentamente nos teus olhos

havia um pequeno holofote a que chamavam de solidão...

e permanentemente em suspenso... começava a desaparecer do céu tua mão

o medo vestia-se com a roupa tua da noite anterior

trazias na algibeira pequenos sons melódicos e papeis poéticos

que decidimos lançar na fogueira da lareira da insónia

abrimos a janela da noite

e a noite recebeu-nos como se fossemos dois pássaros moribundos

cansados de voar

o teu corpo mergulhava no meu

e um líquido esponjoso ressaltava contra os vidros tristes da madrugada

queria ser como tu

uma rosa sem destino

sem nome

apenas numa palavra...

apenas

e só

uma letra prisioneira no teu cabelo castanho...

tínhamos o luar e as estrelas convexas do céu da inocência

e as lágrimas da tarde junto ao rio

deixaram de correr no teu rosto de roseira brava

agarravas-me com os teus dentes de marfim

e sentia no meu peito as tuas garras de mpingo solitárias das ruas da cidade dos morcegos

e tão triste

o apego

o sossego

o desemprego...

e só

tão só

que suicidou-se ao primeiro segundo de acordar a luz triangular do sorriso...

desgovernado

embriagado...

apenas

e só...

ele... o coitado... um pequeno silêncio de espuma verde envolvido no teu corpo.

 

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

Domingo, 29 de Dezembro de 2013


28.12.13

foto de: A&M ART and Photos

 

o que faço sem perceber que a teia de aranha do teu olhar é falsa

como são falsas todas as palavras que me escreveste,

esperei-te acreditando nos jacarés de mpingo com dentes em marfim,

acreditei,

chorei,

dormi solenemente no teu jardim...

e esperei,

esperei... esperei e quando acordei,

o que faço sem perceber,

que,

a teia

de

aranha...

do teu olhar,

é,

é falsa...

 

 

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sábado, 28 de Dezembro de 2013


21.07.13

foto de: A&M ART and Photos

 

Pertencer-me-ás sílaba de papel que deixei suspensa em teus lábios cerâmicos

depois de adormecer sobre ti a noite com cinco estrelas de marfim?

Pergunto-me sem perceber que há muito perdi a esperança de levemente pegar em sílabas

que há muito me esqueci das rosas que roubavas nos jardins junto ao Tejo...

pertencer-me-ás, tu, sílaba em papel mergulhada em beijos de tinta?

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha

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