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francisco luís fontinha

Nunca vi o mar, A minha mãe sonâmbula nas noites de cacimbo desenhava o mar no teto da alcofa, um círculo com olhos verdes e sorrisos e cheiros que aprendi a distinguir antes de adormecer, e eu, e eu... francisco luís fontinha.

francisco luís fontinha

Nunca vi o mar, A minha mãe sonâmbula nas noites de cacimbo desenhava o mar no teto da alcofa, um círculo com olhos verdes e sorrisos e cheiros que aprendi a distinguir antes de adormecer, e eu, e eu... francisco luís fontinha.


31.12.13

foto de: A&M ART and Photos

 

fugir de mim e esconder-me dentro do silêncio pergaminho

enrolar-me às palavras não escritas

aquelas pensadas e não ditas

fugir...

caminhar sobre os cobertores da insónia

despedir-me da inocência mão do destino

ir ao espelho

vestir-me de menino...

e fugir

fugir... fugir de mim até acordar a madrugada prateada

e ouvir-te sorrir

e sentir-te saltitar sobre a ardósia rasurada...

 

fugir

fugir das noites por ti inventadas

escrever

escrever... e fugir... e adormecer nas tuas lágrimas choradas

 

fugir de mim

abrir a janela dos abismos rochedos com olhos castanhos

sentar-me

sentar-me à beira rio e... fugir de mim e esconder-me dentro do silêncio pergaminho

escrever

sentir no rosto o vento abandonado

vagueando pela cidade como um mendigo coitado

fugir...

fugir e fugir... até que o cortinado do desejo arda nas lápides dos alicerces desalinhados

fugir

e escrever...

escrever nos lábios das pétalas embriagadas como homens estatuados...

 

(fugir

fugir das noites por ti inventadas

escrever

escrever... e fugir... e adormecer nas tuas lágrimas choradas)

 

fugir

fugir e sentir...

sentir os orgasmos fingidos

dos pinheiros bravios da montanha do medo...

fugir e fugir e partir... partir sem sentir os falsos amigos

fugir de mim e esconder-me dentro do silêncio pergaminho.

 

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

Terça-feira, 31 de Dezembro de 2013

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