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francisco luís fontinha

Nunca vi o mar, A minha mãe sonâmbula nas noites de cacimbo desenhava o mar no teto da alcofa, um círculo com olhos verdes e sorrisos e cheiros que aprendi a distinguir antes de adormecer, e eu, e eu... francisco luís fontinha.

francisco luís fontinha

Nunca vi o mar, A minha mãe sonâmbula nas noites de cacimbo desenhava o mar no teto da alcofa, um círculo com olhos verdes e sorrisos e cheiros que aprendi a distinguir antes de adormecer, e eu, e eu... francisco luís fontinha.


13.12.14

Sou o carrasco adeus

da sonolência saudade

tenho nas mãos o papiro

e no olhar

uma espada invisível

não percebo porque choram as acácias

e os plátanos da minha terra

não percebo porque gritam os rochedos

que se alicerçaram aos meus braços...

se eu sou frágil

se eu... se eu sou um simples fio de luz

embrulhado numa lápide sombreada,

 

sou o carrasco adeus

da sonolência saudade,

 

sou o presente envenenado

que deambula pela cidade

sento-me junto ao rio

e imagino barcos em papel

que não regressam mais...

quem parte

quase sempre não regressa...

como os comboios de areia

esquecidos no mar

sou o carrasco adeus

da sonolência saudade

… sou a madrugada antes de acordar.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sábado, 13 de Dezembro de 2014


31.07.14

Esta arte,

Este povo no pedestal da saudade,

Dizem-me que há um desejo em tempestade,

Uma mulher que arde,

Uma mulher que arde… arde na lareira da vaidade,

 

 

Esta arte,

Estas cores pinceladas de veneno,

O beijo que assombra a árvore no vento ameno,

Uma mulher que arde,

Arde… no meu peito sereno,

 

 

Esta arte,

Este povo que teima em não se revoltar,

Dizem-me que há no mar,

Uma mulher que arde,

Arde… arde sem vontade de regressar,

 

 

Esta arte,

Que o meu corpo consegue transpirar,

Esta arte que não respira nas noites de luar,

Que arde…

Que arde… que arde sem parar,

 

 

Esta arte,

Que os musseques alicerçam ao cais dos afogados,

Meu povo… meus coitados,

Esta arte que arde…

E não vos deixa sossegados.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Quinta-feira, 31 de Julho de 2014


11.03.14

foto de: A&M ART and Photos

 

Imagino-me deitado nos teus recortados sonhos de papel cenário,

acaricio a tesoura da saudade e sinto-lhe o perfume do amanhecer,

há entre nós uma sombra louca em betão armado,

amado cacilheiro vagueando ruas e avenidas sem janelas para o mar,

imagino-me adormecido,

ausente dos teus beijos,

imagino-me deitado nos teus tristes lábios quando a tua pele se despede da madrugada,

há uma ponte para atravessarmos, há uma ponte imaginária nas tuas mãos de cidade sem nome...

e dos teus dedos vejo crescerem dentes de gladíolos como desenhos de paixão ancorados ao meu peito de celofane,

imagino-me sentado esperando o teu regresso...

e sei que nunca vais regressar, porque é impossível regressarem aqueles que nunca existiram...

e fico junto ao cais, imaginando-me deitado nos teus recortados sonhos de papel cenário,

 

Imagino-me deitado nos teus olhos com odor a amoreiras apaixonadas,

imagino-me cinzento,

nuvem sem rumo, nuvem em pequenos farrapos de nada,

imagino-me sendo as tuas pálpebras e percebo o significado da dor,

imagino-me deitado... de papel cenário,

cansado... cansado dos versos embriagados,

imagino-me o cigarro que não consegue arder porque acredita nos sonhos de papel cenário,

e quando se afunda a noite no meu corpo...

o circo emerge de mim,

palhaços, trapezistas... e animais embalsamados... imaginam-me deitado nos teus seios poéticos com sabor a sílabas abençoadas,

como os pássaros...

como os pássaros poisados em jangadas.

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Terça-feira, 11 de Março de 2014

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