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francisco luís fontinha

Nunca vi o mar, A minha mãe sonâmbula nas noites de cacimbo desenhava o mar no teto da alcofa, um círculo com olhos verdes e sorrisos e cheiros que aprendi a distinguir antes de adormecer, e eu, e eu... francisco luís fontinha.

francisco luís fontinha

Nunca vi o mar, A minha mãe sonâmbula nas noites de cacimbo desenhava o mar no teto da alcofa, um círculo com olhos verdes e sorrisos e cheiros que aprendi a distinguir antes de adormecer, e eu, e eu... francisco luís fontinha.


04.05.19

De todas as paisagens que visitei com prazer,

São os teus olhos a arder,

No meu rosto de sofrer.

 

São flores,

De todas as cores,

No meu jardim imaginário,

São flores,

São rumores…

Na cabeça do lampadário.

 

De todas as paisagens que visitei com prazer,

São palavras minhas no teu corpo de escrever,

São rosas a sorrir, são rosas a sofrer.

 

São gladíolos de papel,

Barcaça, batel…

De todas as paisagens que visitei,

São telas em pastel,

São o grito que pintei.

 

De todas as paisagens que visitei com prazer,

São livros para ler,

São amigos para conviver…

 

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

04/05/2019


30.11.15

O amor é um cubo de vidro sem coração

Ama a luz

Odeia a escuridão

O amor é um covarde diplomado

Faz sofrer

O amado

Faz sofrer quem é amado

Felizes aqueles que não amam

Felizes aqueles que não são amados

Pelo amor

As pálpebras secretas da noite

Quando a fogueira do desejo invade a madrugada

Quando a morte traz a saudade

De um corpo

Entre ossos e sombras

Entre palavras e livros

Faz sofrer o amado

Faz sofrer o sofrido

O amado

Faz sofrer quem é amado

Ama a luz

E os candeeiros da solidão

O amor é um cubo

Hipercubo

Um gato

Sem nome

Um rochedo perdido na montanha do Adeus

Partiu de mim o amor

Ama a luz

E faz sofrer

O amado

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

segunda-feira, 30 de Novembro de 2015


09.01.14

foto de: A&M ART and Photos

 

Desejar o sol é muito

porque nada desejei

escrever é estar vivo... amar quem nunca amei

e nunca quis acreditar nas esplanadas em vidro

desejar a lua é tão pouco pouco

para quem quer ser as frestas de solidão que embrulham o teu desnudo corpo

as flores

os cansaços emagrecidos do plasma adormecido,

 

Desejar é pouco ou quase nada

desejar o silêncio que embainham os teus lábios... desejei-o e cansei-me de esperar

que abrissem as janelas do doce colarinho de espuma que o mar deixa sobre os lençóis de seda...

desejar é tudo

desejar... desejar que arrefeça a tua mão

que cresça o tua paixão com asas em papel... desejar o sol

e ter a lua

desejar a lua

e ter apenas a sombra da montanha... sem o sol vomitando asneiras em palavras envenenadas

desejar-te como o és... uma rosa nua

de veludo

uma rosa apaixonada dos jardins suspensos que habitam a madrugada,

 

Sem fronteiras de cetim

deitada a meus pés...

desejar o sol é muito

porque nada desejei

escrever é estar vivo... amar quem nunca amei

e nunca quis acreditar nas esplanadas em vidro

desejar a lua

é pouco... tão pouco... tão pouco... que deixei de acreditar que estou vivo...

 

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

Quinta-feira, 9 de Janeiro de 2014

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