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francisco luís fontinha

Nunca vi o mar, A minha mãe sonâmbula nas noites de cacimbo desenhava o mar no teto da alcofa, um círculo com olhos verdes e sorrisos e cheiros que aprendi a distinguir antes de adormecer, e eu, e eu... francisco luís fontinha.

francisco luís fontinha

Nunca vi o mar, A minha mãe sonâmbula nas noites de cacimbo desenhava o mar no teto da alcofa, um círculo com olhos verdes e sorrisos e cheiros que aprendi a distinguir antes de adormecer, e eu, e eu... francisco luís fontinha.


26.05.23

20230526_221236.jpg

Invento o sono,

Invento a ausência do sono,

E semeio-os nesta pequena folha em papel,

Invento o sono,

Invento o silêncio do sono,

Quando a insónia pertence ao nada…

 

Dos círculos mortos,

Faço uma jangada,

Passeio-me pelas ruas…

Acreditando que sim,

Ou que não,

E não quero saber…

 

Invento o sono,

Desenho-o nos meus lábios,

Escrevo-lhes pequenos pedaços de solidão…

Depois,

Depois a cancela da noite,

Abre-se,

E todos os animais são livres,

 

Do sono,

Dentro do sono.

Invento o sono,

Talvez apenas algum do sono,

Escrevo-lhes,

Atiro-lhes com pedras…

E desenho-os na face da paixão.

 

 

 

Francisco

26/05/2023


18.05.23

Havia um pássaro,

Havia um pássaro que poisava no meu ombro,

Havia um pássaro, havia um pássaro sono,

Deste velho sono, sem sono…

Deste velho poeta,

Do poema sono,

Havia um pássaro,

Um pássaro sono,

Do sono pássaro…

 

E do pássaro sono,

Nasceram as palavras do poema,

Em sono,

Deste sono,

Sem sono…

 

Havia um pássaro,

Um pássaro sono,

Enquanto sono,

Deste sono,

Deste pássaro em sono,

Havia um pássaro que poisava nos meus ombros,

Do menino ombros,

Nos ombros do menino…

 

Havia um pássaro,

Um pássaro… meu amor…

Um pássaro sono,

Sem sono,

Havia um pássaro,

Um velho pássaro…

Deste menino sono,

Deste sono pássaro…

 

Havia um pássaro,

Um pássaro sono,

Deste sono pássaro…

No meu ombro,

Deste ombro pássaro,

Sobre mim,

Em ti…

Este pássaro sono,

Enquanto o sono,

Este sono…

Esconde-se no meu peito.

 

 

 

Alijó, 18/05/2023

Francisco Luís Fontinha


14.05.23

Um quilograma de sono, será sempre um quilograma…

E se eu dispensar um quilograma do meu sono,

Certamente,

Não será por isso que fico mais pobre,

Decidido; vendo um quilograma do meu sono.

Um quilograma a menos, talvez dê para começar uma tela…

Ou…

Simplesmente para olhar o pôr-do-sol.

 

Um quilograma do meu sono, vendo-o…

Ou quem quiser,

Troco um quilograma de meu sono por um dos livros de Luiz Pacheco…

Que ainda não tenha,

Um quilograma do meu sono,

Vendido

Ou trocado,

Tanto faz,

 

Será apenas um quilograma do meu sono.

Vendo ou troco um quilograma do meu sono…

Enquanto faço negócio, penso…

Tudo o que poderei fazer com um quilograma do meu sono a menos…

Um quilograma do meu sono;

Vendo-o,

Troco-o…

Dou-o.

 

 

 

Alijó, 14/05/2023

Francisco Luís Fontinha


08.05.23

Escondo-me na tua mão de oiro amanhecer,

Enquanto lá fora, uma pequena réstia de sono foge de mim.

Procuro nos teus lábios o teu doce olhar,

Sabendo que a chuva brevemente poisará no teu cabelo.

Escondo-me na tua mão…

Ao primeiro beijo da manhã,

Quando o Deus criador liga o interruptor da paixão,

E eu, olho-te incessantemente no espelho da madrugada,

Do silêncio que me abraça, ao silêncio que me deseja…

O meu esconderijo.

 

Escrevo-te enquanto ainda tenho forças para o fazer,

Não porque esteja cansado, ou doente, ou coisa alguma…

Mas vou-te escrevendo parvoíces,

Vou pincelando numa tela fria e nua…

Outras tantas parvoíces;

Diria que sou um parvo,

Um parvo que escreve parvoíces,

Um pequeno parvo que pincela numa tela fria e nua…

Parvoíces.

Eu, o eterno parvo das noites de insónia.

 

 

 

 

Alijó, 08/05/2023

Francisco Luís Fontinha


09.04.23

Da flor de sono

Que brinca nos teus lábios

Oiço o silêncio da chuva

Quando poisam no teu peito

As minhas mãos

 

Quando desenho no teu peito

A primeira sílaba da manhã

Da flor de sono

Meu amor

Os teus lábios em peregrinação

 

Procurando o mar

O mar da minha mão

O mar que te escreve

Do mar…

No mar que me traz a noite

 

Da flor de sono

Meu amor

Quando pincelo os teus lábios de beijos

De palavras que vou escrevendo

No sorriso do vento

 

E percebo que o teu corpo é uma jangada em desejo

Que se esconde dentro de mim

Montanha das estrelas

Da flor de sono

Do sono… os gemidos da tua boca

 

 

 

Alijó, 09/04/2023

Francisco Luís Fontinha

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