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francisco luís fontinha

Nunca vi o mar, A minha mãe sonâmbula nas noites de cacimbo desenhava o mar no teto da alcofa, um círculo com olhos verdes e sorrisos e cheiros que aprendi a distinguir antes de adormecer, e eu, e eu... francisco luís fontinha.

francisco luís fontinha

Nunca vi o mar, A minha mãe sonâmbula nas noites de cacimbo desenhava o mar no teto da alcofa, um círculo com olhos verdes e sorrisos e cheiros que aprendi a distinguir antes de adormecer, e eu, e eu... francisco luís fontinha.


14.05.22

Descíamos as escadas da tristeza

Sob a ténue luz do desejo,

Depois,

Vinha a nós,

A ribeira da tempestade,

Conforme as imagens do silêncio,

Conforme as lágrimas do teu rosto,

Antes do enforcamento das palavras,

 

Antes do suicídio do poema.

As rosas eram em papel-lágrima,

Com as bocas da fome

Correndo calçada abaixo,

Até se afogarem no rio da saudade.

Descíamos as escadas da tristeza

Carregados de cansaço…

Carregados de maldade.

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 14/05/2022


12.04.22

Trazias nos lábios

Os doces lírios da Primavera,

(às palavras o seu descanso)

Ouvíamos o uivo silêncio

Que transportavam a forca da saudade e,

Todo o Universo dormia na tua boca.

 

Escrevíamos nas tempestades nocturnas do luar.

Quando nas profundezas do rio,

Acordavam os pássaros sem nome,

Eles, dançavam nas espingardas

Que disparavam sobre as sombras

 

Cansadas na neblina.

Ouviam-se as lágrimas sentidas

Que a morte transporta nas mãos do poema…

Das flores que gritavam,

Regressavam as manhãs de vidro.

 

Assim, após a morte do poema,

Uma lápide de tristeza sombreava o teu nome,

E o triste poeta,

Sem perceber que nas madrugadas de prata brincam crianças,

Sorriem jardins e,

Vivem as gaivotas,

 

Regressava à gruta da solidão.

Hoje somos apenas pedaços de nada,

Dois círculos de luz

Envenenados pelo silêncio…

Hoje, somos apenas cansaço.

 

 

Alijó, 12/04/202

Francisco Luís Fontinha


23.02.22

Se és o vento,

Leva-me.

Se és um abraço,

Abraça-me.

Se és um beijo,

Beija-me.

 

Se és um livro,

Deixa-me escrever em ti,

Desenhar os teus lábios

Na manhã quando acorda.

Se és a lua,

Semeia a luz no meu corpo cansado,

 

Quando chora.

Se és uma tela,

Deixa-me pintar em ti a Primavera,

Como fazem os pássaros,

Ou as flores,

Como fazem as palavras,

 

Se és uma lágrima,

Diz-me que o poema não morreu,

Diz-me que as palavras

São fertilizante para as tuas tristes noites;

Se és sol…

Não te canses de me iluminar.

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 23/02/2022


17.02.22

Seis pedras na mão,

Quando acorda a alvorada,

Seis poemas enganados,

Seis poemas adormecidos,

Seis pedras na mão,

Seis estrelas cansadas,

Seis livros de nada,

Nos seis dias sem descanso,

 

Seis vozes que escuto,

Nas primeiras seis horas do dia,

Seis rios entroncados,

Nas traseiras da montanha,

Seis pedras,

Seis navios,

Seis pedras na mão,

Às seis horas da tarde,

 

Seis destinos.

Seis pedras,

Seis meninos,

Nas seis flores,

Seis pedras,

Seis manhãs…

Seis palavras,

Nas seis mortes do poeta.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 17/02/2022


15.02.22

O último suspiro que paira no rosto de uma criança,

A última fotografia que a noite absorve,

O último silêncio dos peixes em cardume,

Nas últimas palavras da enxada do sono.

O último desejo da tempestade,

Quando desce sobre a aldeia o veneno,

O último poema da saudade,

Que aprisiona todas as palavras do inferno.

A última pedra onde se senta,

Em frente à última paisagem pincelada de branco,

O último adeus,

Do penúltimo cigarro.

A última pedra arremessada sobre a escuridão,

Quando todos os pássaros festejam,

Quando todos os pássaros dançam…

Quando todos os homens e mulheres… morrem.

A última oração.

A última tarde de Inverno,

Quando as flores choram,

E a chuva se despede do sorriso de uma criança.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 15/02/2022


06.02.22

As palavras são abraços

Ao corpo do poema amar,

São cansaços,

São beijos de beijar.

 

São lágrimas de chorar,

São silêncios suspensos na alvorada,

As palavras são sorrisos de encantar,

São desejos de nada.

 

As palavras são alegria,

São tristeza,

As palavras são melodia,

 

Na manhã acordada.

As palavras são abraços de subtileza,

São o destino, são tudo e não são nada.

 

 

Alijó, 06/02/2022

Francisco Luís Fontinha


03.02.22

São cinzas,

São lágrimas,

São tristeza,

São os olhos do mar.

São palavra,

São a revolta,

São beleza,

São os poemas de amar.

 

São distância,

São cidade,

São a saudade,

São as canções de embalar.

São equação,

São o que são,

São,

São sorrisos luar.

 

São cinzas,

São lágrimas,

São tristeza,

São as telas de pintar.

São a música,

São a letra,

São a tempestade,

São as palavras a caminhar.

 

São a falsidade.

São promessas da montanha,

São vento,

São lâmina de barbear.

São azeitonas,

Uvas insignificantes,

São laranjas,

São sombras de chorar.

 

 

 

Alijó, 03/02/2022

Francisco Luís Fontinha


25.01.22

Não chores

Enquanto sopra o vento,

Porque nas tuas lágrimas choradas,

Dentro do poema sofrido,

Habitam almas cansadas,

Cansadas por terem morrido.

 

Não chores

Enquanto sopra o vento,

Porque nesta triste cidade,

Vive um pobre mendigo,

Mendigo de verdade:

Triste, só e arrependido…

 

 

 

Alijó, 25/01/2022

Francisco Luís Fontinha


21.12.21

Os dias são tardes perdidas

Nas mandibulas tuas mãos,

Os dias, os dias são margaridas,

Margaridas entre sins e nãos,

Os dias, os dias pertencem às noites esquecidas,

 

Das noites anteriormente perdidas.

Os dias são poesia, música, equação,

Os dias são horas adormecidas,

São palavras, são canção;

Os dias, os dias são todas as coisas permitidas.

 

Os dias são madrugada,

São o corpo na lareira,

Os dias são a alvorada,

Alvorada que brinca na fogueira,

Os dias são a manhã cansada,

 

Antes de acordar o dia; os dias são tristeza,

São garrafas embalsamadas na ribeira,

Os dias têm beleza,

E têm corpo de feiticeira.

Os dias são migalhas sobre a mesa,

 

São flores do meu jardim.

Os dias são tarde perdidas,

São pequenas coisas de mim,

Os dias são cores garridas,

Quando acorda o clarim.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 21/12/2021


19.12.21

Uma estátua de luz

Suicida-se na cidade das marés envenenadas,

Traz a enxada,

Traz as madrugadas,

Traz as palavras,

 

E traz o falso oiro.

Deste poema,

Sobreviverá a todas as janelas quadradas,

Nas falsas alvoradas,

Nas falsas ribeiras ancoradas.

 

Uma estátua de luz

Que marcha na parada,

Ouve o grito do clarim sobre a ponte…

Corre, corre, corre até ao monte,

Corre… corre até desfalecer,

 

Gritar,

Chorar e gemer.

Aos uivos do teu corpo silenciar,

Gemem as palavras de escrever,

Morrem os pássaros de voar.

 

Uma estátua de luz

Suicida-se na cidade das marés envenenadas,

Correm, correm todos para a praça

Das esplanadas;

Assim seja, tristes madrugadas.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 19/12/2021

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