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francisco luís fontinha

Nunca vi o mar, A minha mãe sonâmbula nas noites de cacimbo desenhava o mar no teto da alcofa, um círculo com olhos verdes e sorrisos e cheiros que aprendi a distinguir antes de adormecer, e eu, e eu... francisco luís fontinha.

francisco luís fontinha

Nunca vi o mar, A minha mãe sonâmbula nas noites de cacimbo desenhava o mar no teto da alcofa, um círculo com olhos verdes e sorrisos e cheiros que aprendi a distinguir antes de adormecer, e eu, e eu... francisco luís fontinha.


26.09.22

Sento-me sobre esta triste pedra cinzenta,

Abraço-me ao silêncio escuro e frio…

Perco-me neste sonho que alimenta

A beleza deste rio,

 

Deste rio em revolta,

Enquanto morrem as palavras de escrever,

Da saudade que não volta,

Da saudade que te viu morrer,

 

Sento-me e espero o seu acordar,

Maldito poema de viver,

Sento-me junto a este mar…

 

Este mar de solidão;

Sento-me sobre esta triste pedra de ser,

Enquanto oiço os versos do coração.

 

 

Alijó, 26/09/2022

Francisco Luís Fontinha


11.02.22

Na máquina de escrever

Escrevo o teu nome

E desenho os teus lábios de cereja,

Pinto a tua boca

Com pinceis de desejo,

Escrevo o teu nome,

Desenho o teu beijo.

Na máquina de escrever,

Agradeço por pertenceres à minha sombra,

Quando ainda ontem,

Eu mergulhava na tela luar.

Na máquina de escrever,

 

Eu, sou o poema,

Sou a geada suspensa na madrugada,

Sou o verbo amar,

Quando a noite

Não tem medo a nada.

Na máquina de escrever,

Sou o poeta,

Ou outro gajo qualquer,

Sem identidade,

Sem nome,

Que caminha na tua mão,

Feliz por ser.

 

 

Feliz por ter,

Ter uma máquina de escrever.

Na máquina de escrever,

Dentro do velhinho teclado,

Há uma gota de amor

Dançando na insónia.

Na máquina de escrever,

Onde me sento e deito,

Como uma pedra selvagem…

Neste corpo em viagem,

Neste corpo que chora no teu peito.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 11/02/2022


11.11.21

Onde habitam os pássaros

Dos teus lábios

Que voavam nas árvores da minha boca,

Meu amor!

O que fazem os pássaros

Dos teus lábios

Quando na minha boca, meu amor,

Habitam as flores do teu sorriso!

Como se sentem, meu amor,

Os pássaros do teu cabelo,

Quando nos meus braços,

Habitam o silêncio e o desejo!

O que sentem os pássaros

Dos teus seios,

Quando nas minhas mãos,

Habitam os pássaros de escrever!

E dos pássaros das tuas coxas,

Quando se abraçam

Aos pássaros da minha noite,

Sabendo que os pássaros

Do meu silêncio,

São os pássaros de amar,

São os pássaros de beijar…

Como serão os pássaros

Do teu olhar,

Quando os pássaros do meu escrever,

Se sentam junto ao mar,

E, se abraçam até que acorde o luar,

E nasçam os pássaros de viver.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 11/11/2021


08.12.19

Trago em mim a fome da saudade.

Não sei quem sou, nesta cidade deserta,

Cansada da verdade.

Trago em mim a fome da tristeza,

Quando o vento se alicerça nos teus lábios.

Trago em mim o silêncio da noite,

Quando um livro perdido, se levanta, e avança contra a escuridão.

Trago em mim o sofrimento do desejo,

Como uma cancela escondida pela geada,

E na montanha, tenho escondidas as lágrimas da calçada.

Trago em mim a morte,

A dor,

E o sonho de adormecer no teu colo.

Trago em mim a saudade,

A fome,

A vaidade.

Trago em mim a felicidade,

De um dia, voar,

Nas tuas mãos,

No teu sonhar.

Trago em mim a fome de sofrer,

Dentro de um relógio indignado com o tempo.

Trago em mim a fome de escrever…

Escrever palavras de alento.

Trago em mim a fome de ser,

Ser quem não sou,

Que sou ser,

Invisível,

Nesta Galáxia complexa da noite.

Trago em mim o prazer,

O sonho,

A vontade de viver.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

08/12/2019


23.11.19

Dorme, dorme, meu menino.

Nas lágrimas desta cidade.

Na rua caem palavras de saudade.

No altar veneras o Santo Peregrino.

Dorme.

Dorme, meu menino.

Dorme, dorme, meu menino.

Nos livros de sonhar.

Dorme, meu menino.

Menino do mar.

Dorme.

Dorme, meu menino.

Nas manhãs de desenhar.

Dorme, dorme, meu menino.

Dorme nesta cama de palavras incertas.

Dorme, meu menino.

Nas cantigas de amanhecer.

Meu menino, dorme.

Dorme, antes de nascer.

Dorme.

Dorme, meu menino.

Dorme nas sombras da madrugada.

Meu menino, menino, dorme.

Nesta pedra cansada.

Nesta pobre calçada…

Dorme.

Meu menino, dorme.

Meu menino, dorme.

Dorme sem almoçar.

Meu menino, dorme.

Dorme até antes de jantar.

Meu menino.

Dorme.

Dorme, cansado, meu menino, dorme.

Dorme à beira desta montanha desabitada.

Meu menino.

Menino.

Dorme nesta aldeia amaldiçoada.

Dorme.

Dorme, meu menino.

Esquece o sono de ontem.

Recorda o sonho de hoje.

Meu menino. Dorme.

Dorme. Menino que foge.

 

 

 

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

23/11/2019


30.06.17

Que sobre o amor nada tenho a dizer,
Saboreio a vida com prazer,
Todos os dias ao acordar,
Danço, escrevo e consigo navegar
Nos teus braços de manteiga,
Aceito,
Amo,
Percorro caminhos obscuros da maternidade…
Tenho em mim a saudade,
Da verdade,
Da sabedoria de nada saber…
A não ser…
Que a morte existe,
Persiste…
Persiste em me atormentar,
Navego no teu colo nascer do sol,
Quando o tempo se esquece de mim,
Tenho o teu jardim,
Desenhado,
Desenhado num caderninho…
Num caderninho dentro de mim,
Que sobre o amor nada tenho a escrever,
A não ser,
Viver.


Francisco Luís Fontinha


11.01.17

Tanto faz,

A alegria de morrer

Ou a tristeza de viver,

Tanto faz,

A alegria de escrever

Ou a tristeza de ler…

… o que escrevi sem o querer,

Tanto faz,

Hoje, este corpo de sofrer,

Ausente

Das lápides que a mão não sente…

As palavras do ser,

À palavra que mente.

 

 

Francisco Luís Fontinha

11/01/17


12.07.14

Vivíamos encaixotados numa lâmina de silêncio,

tínhamos dentro de nós o sonho, tínhamos a transparência do amanhecer,

vivíamos sem saber que vivíamos...

viver,

 

Vivíamos dentro do espelho de uma folha por escrever,

vivíamos como se amanhã fosse o dia mais belo do luar,

tínhamos as palavras em gritos, e vivíamos acreditando que havia uma árvore nua, em despedida...

sentada na alvorada... esperando o regresso do mar,

 

Vivíamos no centro do círculo de vidro,

tínhamos no olhar a distância transatlântica do desespero..., havia em nós o medo, a solidão,

vivíamos não vivendo,

… porque tínhamos um beijo em nossa mão.

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sábado, 12 de Julho de 2014


10.07.14

Não alimentes a minha fome,

porque eu não quero comer,

não, não grites o meu nome...

… porque sem a tua mão sou capaz de viver,

 

Escrever,

e... e sonhar,

 

Não alimentes a minha fome,

não cerres toas as janelas do meu olhar,

não me peças para chorar,

não, não sei chorar...

 

(escrever,

e... e sonhar),

 

Não alimentes a minha fome,

não quero os teus lábios de ciclone,

vagueando no meu peito, sobrevoando os meus cabelos tristes,

não,

porque insistes?

que eu seja o que nunca quis ser,

não,

não quero comer,

não,

não quero correr...

apenas quero ser o mar,

com lençóis de amanhecer,

 

(escrever,

e... e sonhar),

 

Não, não me obrigues a voar!

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Quinta-feira, 10 de Julho de 2014


29.06.14

(para ti)

 

 

Eu te quero,

mergulhar nas cinzas abandonadas do rio que te absorve,

escrever na flácida pele que te embrulha para separarem a tua pele... da minha pele,

eu te quero,

desfeita em pedaços de suor,

palavras suicidadas das folhas emagrecidas,

palavras de amor,

eu te quero,

como quero viver,

mergulhar nos teus tentáculos que só o desejo conhece..., dentro de ti,

eu te quero... como quero morrer...

apenas... apenas ser.

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Domingo, 29 de Junho de 2014

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